Há dias em que
enxoto as palavras
prefiro a
ausência delas,
Dispenso-as,
brisas do mar, ventos, raios ou trovões
travessias,
encruzilhadas, bússolas, paixões.
Não necessito
delas se todos os sentidos
são mutualismo
e comunhão.
Em tudo, as
palavras regurgitam excessos, estrépitos surdos
confusão,
pegadas nos móveis, amolgadelas nas conversas
caídas debaixo da mesa, sobre as flores da carpete.
Há dias em que
as expulso peremptoriamente
e todo eu sou
acometido de agradáveis sensações.
Outros há em
que não passo sem elas, as palavras,
esses seres
instáveis e imprecisos que se aproximam, em bandos,
para abalar
meu mundo de sossego e recolhimento.
Lídia Borges
(imagem:pesquisa s/ind. autoria)
