quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

Laranja




Por vezes, basta pegar numa palavra,

laranja, por exemplo.

Deixar que role,

que empreste à mão

a redondez e a cor do desejo.


Se lhe ferimos a casca

responde-nos

com um tentador aroma cítrico

que entontece.

 

Quando levada à boca, gomos de ouro.

Torna-se logo mais brando o olhar

sobre a névoa do quintal.


Lá fora, as laranjas, lanternas  

dos jardins das Hespérides

Cá dentro, suco e sabor a saber

em redor da palavra-tema.

Por vezes, laranja 

Por vezes, poema.


Lídia Borges