Por vezes,
basta pegar numa palavra,
laranja, por
exemplo.
Deixar que role,
que empreste à
mão
a redondez e a cor
do desejo.
Se lhe
ferimos a casca
responde-nos
com um tentador aroma cítrico
que entontece.
Quando levada à
boca, gomos de ouro.
Torna-se logo mais
brando o olhar
sobre a névoa
do quintal.
Lá fora, as laranjas, lanternas
dos jardins das Hespérides
Cá dentro, suco e sabor a saber
em redor da
palavra-tema.
Por vezes, laranja
Por vezes, poema.
Lídia Borges
