Separa-se das últimas flores
que lhe foram copa,
beleza e exuberância efémeras.
Agora toda a seiva
se concentra nas folhas
novas
que já lhe assaltam os
ramos.
Entretanto a um sopro do vento
desprende-se um bando de
pétalas,
como pássaros, de súbito,
enxotados.
É absorvente, a
imagem.
Porém, difícil de ver
tão mundana e plebeia.
Gravo-a, portanto,
no portfólio das coisas raras.
Depois do expediente,
do pensamento normalizado,
da razoabilidade da razão,
poderei a partir dela
ser humano outra vez
ainda que limitado
ao exíguo espaço de um poema.
Lídia Borges
(imagem: Pinterest s/ ind. autoria)
