domingo, 21 de abril de 2024

E agora... Abril

Rodagem de cenas de  Catembe, em Moçambique (1964) 


CATEMBE - A maior censura da história do cinema

«Mil parabéns. Ganhámos Catembe», assim dizia o telegrama enviado em 1964 a Manuel Faria de Almeida por António da Cunha Telles. De Lisboa para Paris, onde o cineasta estagiava no IDHEC, anunciava-se o apoio ao filme Catembe – Sete Dias em Lourenço Marques. Na mesma altura, a PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado) enviava ao ministro do Interior Santos Júnior uma nota secreta dizendo que «havia conhecimento de que uma equipa de filmagem da metrópole tencionava deslocar-se a Lourenço Marques a fim de produzir um filme sobre o tema "a paixão de um pescador negro da Catembe, de vida miserável, por uma prostituta, parece que de raça branca", tendo conseguido apoio das entidades competentes metropolitanas». A nota seguiu para o SNI (Secretariado Nacional de Informação) com um cartão do ministro que dizia «Que diabo é isto? Sabe o que se passa?»

Ainda o filme Catembe não tinha começado a ser rodado e já o seu destino estava traçado. Apesar do apoio financeiro do SNI, conseguido pelas Produções Cunha Telles, o filme foi censurado, remontado e, finalmente, proibido durante o Estado Novo. Os 103 cortes a que foi sujeito fizeram-no entrar no Guiness Book of Records na categoria de filmes com mais cortes feitos pela censura na história do cinema.»

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Texto de Rita Penedos Duarte