I
Um halo de inconstantes sentires,
Visão toldada por voos cerrados
na esquadria branca da tela.
Depois, a súmula de poeiras lavradas:
terra de siena queimada, ocre e oiro e púrpura.
O ar carregado de meia-vida, meia-morte.
II
Do sul, as libelinhas irrompem, tela adentro.
Onde o alimento para as libelinhas?
Vozes de vates ecoam a encandear anfiteatros de pedra
a pesar a alma dos aprendizes de entomologia
atraídos pela aparente beleza
de tão elevado número de libelinhas subalimentadas.
É pouco provável que tudo isto não crie renitências
à lucidez incólume, a rondar os dias raros de poesia.
Lídia Borges
