sexta-feira, 17 de maio de 2024

Libélulas

 I

Um halo de inconstantes sentires,

pouco ouvido para trovas descendentes,

Visão toldada por voos cerrados 

na esquadria branca da tela.

Depois, a súmula de poeiras lavradas:

terra de siena queimada, ocre e oiro e púrpura.

O ar carregado de meia-vida, meia-morte.


II 

Do sul, as libelinhas irrompem, tela adentro.

Onde o alimento para as libelinhas?

Vozes de vates ecoam a encandear anfiteatros de pedra

a pesar a alma dos aprendizes de entomologia

atraídos pela aparente beleza

de tão elevado número de libelinhas subalimentadas.

 

É pouco provável que tudo isto não crie renitências

à lucidez incólume, a rondar os dias raros de poesia.


Lídia Borges