Campo largo, a insónia
Esperar, esperar o mais quieto possível.
Pensar pouco e muito lentamente.
Quem deseja impor dietas ao pensamento,
quem?
Ouves a chuva cair no tanque de pedra
deixado lá no verdejar dos tempos:
memória, criação ou prelúdio do sono?
Olha as papoilas! Sorriem, as papoilas?
Tropeças em falas poluídas, em fogos,
em febres, em campos minados
enquanto rostos silentes passam.
Esquecidos, desconhecidos?
Ninguém para acender a luz. Nem mesmo tu.
O que não é sonho é solidão.
Lídia Borges (09/01/2016)
imagem: fotografia de Mário Silva (https://aguasfrias.blogs.sapo.pt/o-tanque-586558)
