quinta-feira, 30 de julho de 2020

Greta Thumberg


(foto: pesquisa Google, s/ ind. autoria)

Não resisto a transcrever para aqui, uns excertos da crónica de Valter Hugo Mãe, intitulada Geração Greta que acabo de ler no Jornal de Letras, (29 de julho a 11 de agosto 2020). 
Porque o faço!? Porque é preciso que se olhe, que se saiba, que se pense...


O século XXI claudica em convicções elementares, permissivo em relação aos mais torpes valores, acusando uma regressão insuportável ao que já havia sido clarificado para o espírito do humano mais sensato e comum. A execrável aceitação de ideais racistas ou xenófobos e homofóbicos, ou a sacralização demasiada da propriedade privada acima da dignidade e mesmo da sobrevivência das pessoas, é algo que tive esperança, e cheguei a acreditar, que não pudesse mais acontecer nos meus tempos de vida.

[...]

Quando Greta é vista pelo mundo em jeito intenso e eloquente, a sua idade terá sido factor decisivo para a eficácia. Ainda que levantada uma enorme onda antagonista, a lição estava dada e tornar-se-ia imparável. A defesa do ambiente e a questão climática não poderiam ter conseguido aliada mais poderosa: uma criança brilhante a reclamar o seu direito ao futuro.

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Ela é a esperança inteira de que a nova geração siga sua força e não a hipócrita, viciada estratégia dos Estados que se dizem preocupados e nada fazem para o alcance de um resultado.

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O Grande Júri que a Gulbenkian angariou para a entrega de um milhão de euros não poderia ter decidido melhor arranque. Portugal inscreve-se na rota dos grandes prémios do mundo num exemplo lúcido, urgente, meritório e inspirador.
A premiada já fez saber para que movimentos encaminhará o dinheiro. Muito orgulho em saber que a primeira tranche de cem mil euros será entregue à SOS Amazónia para auxílio às populações mais vulneráveis no combate à pandemia. Significa mais do que uma preocupação com a saúde dessas pessoas, é também um combate à política fascista e genocida que domina o Brasil e o atira mais e mais para a miséria de outrora. Vale muito que o faça. Não ficará com um cêntimo deste prémio. Ficará, contudo, com a alegria de ser uma luminária no caminho. [...].


Valter Hugo Mãe, Autobiografia Imaginária, JL