(foto: pesquisa Google, s/ ind. autoria)
Não resisto a transcrever para aqui, uns excertos da crónica de Valter Hugo Mãe, intitulada Geração
Greta que acabo de ler no Jornal de Letras, (29 de julho a 11 de agosto
2020).
Porque o faço!? Porque é preciso que se olhe, que se saiba, que se pense...
O século XXI claudica em convicções
elementares, permissivo em relação aos mais torpes valores, acusando uma
regressão insuportável ao que já havia sido clarificado para o espírito do
humano mais sensato e comum. A execrável aceitação de ideais racistas ou
xenófobos e homofóbicos, ou a sacralização demasiada da propriedade privada
acima da dignidade e mesmo da sobrevivência das pessoas, é algo que tive
esperança, e cheguei a acreditar, que não pudesse mais acontecer nos meus tempos
de vida.
[...]
Quando Greta é vista pelo mundo em jeito
intenso e eloquente, a sua idade terá sido factor decisivo para a eficácia.
Ainda que levantada uma enorme onda antagonista, a lição estava dada e
tornar-se-ia imparável. A defesa do ambiente e a questão climática não poderiam
ter conseguido aliada mais poderosa: uma criança brilhante a reclamar o seu
direito ao futuro.
[...]
Ela é a esperança inteira de que a nova geração
siga sua força e não a hipócrita, viciada estratégia dos Estados que se dizem
preocupados e nada fazem para o alcance de um resultado.
[...]
O Grande Júri que a Gulbenkian angariou para a
entrega de um milhão de euros não poderia ter decidido melhor arranque.
Portugal inscreve-se na rota dos grandes prémios do mundo num exemplo lúcido,
urgente, meritório e inspirador.
A premiada já fez saber para que movimentos
encaminhará o dinheiro. Muito orgulho em saber que a primeira tranche de cem
mil euros será entregue à SOS Amazónia para auxílio às populações mais
vulneráveis no combate à pandemia. Significa mais do que uma preocupação com a
saúde dessas pessoas, é também um combate à política fascista e genocida que
domina o Brasil e o atira mais e mais para a miséria de outrora. Vale muito que
o faça. Não ficará com um cêntimo deste prémio. Ficará, contudo, com a alegria
de ser uma luminária no caminho. [...].
Valter Hugo Mãe, Autobiografia Imaginária, JL
