Tens contigo matéria que serve ao poema.
Está à
distância de um braço:
astros e
detritos. De que lado acordaste?
Nada disso
sacrificas ao formato do poema.
Nem sequer o doce de figo
a fervilhar lentamente na cozinha,
irradiando
aromas frutados pela casa,
Ecos ocos, ócio obsceno e a morte algures
a lavrar, a lavrar...
Não te chama, a
Poesia!
O poema exige mais coração, mais veia, mais alma e pulso.
É de azedia e
socos no estômago, a escuma dos dias.
e o poema azeda.
A compota de figo está no ponto.
Último ponto:
deixar arrefecer e enfrascar.
Um frasco de doce pode ser bastante
para encher o poema
que necessita escapar à conservação em vácuo.
Lídia Borges (reescrito/revivido)







