Na paleta do pintor,
uma extravagância de
tons quentes
prepara: amadurecimento e colapso.
As folhas desprendem-se
das árvores.
Uma ou outra deixa-se
cair inerte a meus pés.
Parece um pássaro sem
forças
que se rendeu à força de ventos contrários.
Apetece-me dizer-lhe
que também eu
sinto naturais desejos
de pousar,
(cumprindo as leis da biologia)
escolher o barro de
algum chão
que não esteja continuamente
a pedir-me água.
Lídia Borges (08/10/2026)






