sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Não, nada muda

 

I

Observo. Não sei o que observo.

Devo ter sido apanhado numa armadilha qualquer.

Estou perante uma ficção desastrosa,

um filme da nova vaga do terror,

uma película de qualidade duvidosa

cujos congeminações arranham as abas da insanidade.

Só pode ser.

 

Endireito o corpo, limpo os óculos.

Sou eu, por certo, o irracional, o cego, o incompetente

Ou, talvez, o ângulo do olhar interceptado

por tantas e difusas luzes cause a distorção do ver.

Mudo de posição, ajusto a perspectiva,

concentro-me.

Não, nada muda.

 

II

Mudas, as crianças, sem forças para chorar.

***



Lídia Borges (20/02/2026)

(imagem: Unicef, 2024)