Surge o riso do Sol
ainda pálido, sonolento.
Um coro alto de pássaros
lembra árvores
rumorosas
de outras alturas mais
verdes.
No húmus revolvem-se
bolbos,
a vida desdobra-se
entre pedras e águas
secretas.
A indizível aparição
dos narcisos
baloiça, breve, na aragem.
Os meus pensamentos, de
súbito,
veem-Te.
Provo até ao último bago de luz
a minha ignorância infinita.
Este instante, agora, diz-me:
vai ou vem?
No solo branco da página
enterram-se suas raízes, emaranhadas.
Lídia Borges
(21/02/2026)
(imagem s/ ind. autoria)
