sábado, 21 de fevereiro de 2026

Narcisos

 


Surge o riso do Sol

ainda pálido, sonolento.

Um coro alto de pássaros 

lembra árvores rumorosas

de outras alturas mais verdes.

 

No húmus revolvem-se bolbos,

a vida desdobra-se

entre pedras e águas secretas.

A indizível aparição dos narcisos

baloiça, breve, na aragem.

 

Os meus pensamentos, de súbito,

veem-Te.

Provo até ao último bago de luz

a minha ignorância infinita.

Este instante, agora, diz-me:

vai ou vem?


No solo branco da página

enterram-se suas raízes, emaranhadas. 

 

Lídia Borges (21/02/2026)

(imagem s/ ind. autoria)