domingo, 13 de dezembro de 2009

Fui sabendo de mim

Fui sabendo de mim
por aquilo que perdia

pedaços que saíram de mim
com o mistério de serem poucos
e valerem só quando os perdia

fui ficando
por umbrais
aquém do passo
que nunca ousei

eu vi
a árvore morta
e soube que mentia


Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"

18 comentários:

Unknown disse...

amei!

bjs

Unknown disse...

Perdi-me,
procuro-me...
Se me virem
dêem-me novas de mim,
de quem fui,
e hoje sou,
do que fiz,
do que hoje faço...
Digam-me se sou,
ou fui,
feliz,
se,
em algum momento,
amei
ou fui amada...
Perdi-me
e não me encontro,
não mais sei
quem sou,
fui,
ou serei...
Se me virem
dêem-me novas de mim,
e apenas digam
que me busco
para que,
de novo,
me encontre...

Beijo carinhoso minha querida Lídia

Eva Gonçalves disse...

Muito bonito :)E gostei particularmente da foto a ilustrá-lo.
Beijinho

aapayés disse...

Que belleza de versos.. y la música maravillosa..

Un beso,

Te dejo mis mejores vibraciones de paz para estas fiestas..

Es un placer leerte..
Suerte en todo..

Un abrazo
Saludos fraternos..

Que tengas una maravillosa semana..

By Me, Lí.M. disse...

QUE TRISTE FORMA DE SABER DE SI...

LINDO POEMA!!!

angela disse...

Mia Couto tem poemas muito lindos.
beijos

Juliana Matos. disse...

"Fui sabendo de mim
por aquilo que perdia", acredito que estou assim, sabendo muito mais de mim e do que preciso para ser feliz com aquilo que se vai, porque o que fica é o que merece ser meu..
lindo poema..
Bjos

Graça disse...

Gosto de Mia Couto, neste registo também.

Um beijo meu, para a tua semana, querida Lídia

Graça Pereira disse...

Obrigada por prestigiares Mia Couto, escritor e poeta moçambicano que tanto gosto. O poema também é dos que mais gosto..."Fui sabendo de mim por aquilo que perdia"...e a música de fundo, nuns degraus cobertos de folhas seca...pisadas, lembrando o que ficou para trás...Lindo!
Um beijo e boa semana.
Graça

Cris França disse...

magico, perder-se é descobrir. bjs

João de Sousa Teixeira disse...

Bem podia ser seu, este poema!
Atrevo-me a dizer que o Mia Couto a plagiou...

Beijinho
João

Bettencourt de Noronha disse...

A Magia e o deslumbre de MIA COUTO.
O orvalho de como sente, o calor o acompanhamento secreto,límpido com que nos desperta.
Parabéns pelo seu espaço. Um prazer saber de si.
Uma semana feliz

Um abraço

Carlos Gonçalves disse...

Lídia, eu vi a folha solta, a árvore morta e fiquei com a certeza da minha perdição!
Hoje, sou natureza, sou árvore, folhas secas, soltas pelo vento... e amanhã, terei novas folhas ou o meu tronco será folha seca?
Lindo este poema de Mia Couto.

Um beijo, Lídia.

Carlos

Semente disse...

Vim ouvir um pouco o teu Mozart e ler as palavras que nem sempre leio. Na verdade, é muito bom estar aqui e passear um pouco por esta Seara de Versos.
Gosto deste cantinho. Gosto de ver o Fernando, o David, a Fiama, o Nuno aqui ao lado.

Deixo beijinhos de Sereia*

Ana Cristina Cattete Quevedo disse...

Um de meus poetas preferidos, sonda a alma como ninguém.
Sem saber de si, faz com que saiba um pouco mais de mim...

"Tenho a sede das ilhas e esquece-me ser terra." Mia Couto

Beijo!

UBIRAJARA COSTA JR disse...

Suave, triste, lindo...
beijos

Gabriela Rocha Martins disse...

como escrevi num comentário um pouco mais atrás

apenas duas palavras

EXCELENTE escolha



.
um beijo ,Lídia



.
um beijo

Sândrio cândido. disse...

sei que sou o que jamais fui porque tentei palnejar o que eu perdi...sabe as vezes ainda procuro saber quem sou,mas sei que sou apenas humano e isto basta me para seguir...