segunda-feira, 28 de junho de 2010

noite

E de repente o som do estore descendo a causar-me náusea,
A sufocar-me na claustrofobia das coisas caladas.
E eu a duplicar gestos que de tão repetidos se não vêem
A inexistência dos móveis que sempre ali estiveram
A invisibilidade das fotografias nas molduras
Os sons inaudíveis por via de soarem iguais demasiadas vezes.


A presença banal da televisão a debitar desgraças
Tão costumeiras e espinhosas que esvaziam os sentidos.
A televisão a alimentar não sei que esvaecidas desilusões.


O meu hábito de não ver, de não ser, de não estar...
E as janelas fechadas a cortarem os derradeiros resquícios do olhar
A noite a impor-se senhora de tudo, subitamente dócil
A fechar-me os olhos, a roubar-me a memória e a consciência

15 comentários:

António Gallobar - Ensaios Poéticos disse...

Que fantastico poema,tão real, que nos toca profundamente.

Parabens pela escolha amiga Lídia

Beijinho

Unknown disse...

Ainda assim a noite foi amiga trazendo o sono que tira o olhar cansado. Que tira o enjoo das notícias compradas e guarda no silencio os nossos retratos queridos.

Carlos Gonçalves disse...

Quantas vezes, a noite no fulgor do silêncio, mostra-me a escuridão das luzes da vida.
Beijo de muito carinho, Lídia.
Carlos

Anónimo disse...

Por isso se faz noite, digo a Lua, de tanto olhar para ela nos entorpece com sua alvura, mas logo passa com o breve sonhar! Nada como dois dias e uma noite entre...
Beijos

angela disse...

A rotina matando a vida. Lindo poema.
beijos

Úrsula Avner disse...

Oi Lídia, lindas imagens poéticas em seus versos... Gostei,sobretudo, da laustrofobia das coisas caladas. Há tantos desejos, sentimentos, amores sufocados...enclausurados e claustrofóbicos... Gostei muito ! Bj com carinho.

Úrsula

Joaquim do Carmo disse...

De como as rotinas nos podem entorpecer os sentidos, impedindo que a vida siga o seu caminho!
As noites impondo-se, "dóceis", hão-de proporcionar renovadas auroras...
Beijinho

Paula Barros disse...

Ás vezes me sinto assim, ou melhor tenho me sentido assim, quase nessa roda viva. E essa da televisão então me vi falando sobre assunto.

abraço

Lago Mudo disse...

O extraordinário sugado do corriqueiro, num equilíbrio dinâmico e paradoxal de complementaridade e anulação... belo

poetaeusou . . . disse...

*
belas palavras !!!
,
Noite
o sufoco
de quem sonha, acordado . . .
,
conchinhas floridas,
deixo,
*

Rosa dos Ventos disse...

Tão triste...

Abraço

Luas disse...

Deixa-me sem palavras como sempre
um beijo, querida, Lídia. XD

Luana

Marilu disse...

Olá Lídia, te vi no blog de um amigo Quicas, e como adoro girassóis, vim conhecer teu espaço. Adorei...lindos poemas...tomei a liberdade se ssgui-lá. Tenha uma linda semana..Beijocas (se tiver um tempinho de uma passadinha no Devaneios)

José Doutel Coroado disse...

bonito!!
"O meu hábito de não ver, de não ser, de não estar..."
bem conseguido!
abs

Sândrio cândido. disse...

lidia querida causa me espanto ler teus poemas, mas um espanto bom, a intensidade me toca.