sábado, 3 de julho de 2010

Mário de Sá Carneiro

Quase

Um pouco mais de sol - eu era brasa.
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

...

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

Mário de Sá Carneiro

22 comentários:

Primeira Pessoa disse...

mário de sá carneiro é um de meu poetas favoritos...
você conhece a versão musical de fim, musicada pelos trovante?

beijão do
roberto.

Mona Lisa disse...

Obrigada por me recordares tão belo poema.

Mário de Sá Carneiro um dos meus poetas predilectos.

...Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

Estes versos muito me dizem.

Bjs.

AC disse...

Que dizer...? Somos ínfimos, talvez ainda com a vã ilusão do golpe de asa.

Beijo

Unknown disse...

Recordar estes poemas e este poeta de tanto valor é semear no nosso interior vida com mais saber e sabor

deep disse...

Este é só um dos meus poemas de eleição. Não me canso de o ler e de o repetir! :)

Bom domingo.

Anónimo disse...

Querida Lídia, ele, Mário de Sá Carneiro, grande figura, humano, e... poeta!
Beijos , um abraço.

Maria Luisa Adães disse...

Mário de Sá Carneiro

Um poema de culto.Poeta do Maior em poesia.

Bela escolha! Adorei seu canto de beleza e sonho.

Um abraço,

Mª. Luísa

UBIRAJARA COSTA JR disse...

Nada a dizer, apenas sentir cada verso, cada palavra... lindo!...
bjs.

Luiza Maciel Nogueira disse...

Adorei a escolha. beijo.

Bergilde disse...

Belo e profundo.É preciso mesmo pensar nas nossas intenções e suas conclusões,realizações...'Tudo encetei e nada possuí!'
Abraços,Bergilde

Everson Russo disse...

O quase define uma vida...beijos de otima semana pra ti.

Mª João C.Martins disse...

Nunca será por acaso que os grandes poetas escrevem poemas eternos...

Excelente!

Um beijinho

Lilá(s) disse...

Grande figura, este poema é apenas um dos muitos que gosto.
Bjs

Marcantonio disse...

Falava do quase porque tinha os olhos postos no absoluto.

Abraço.

Paulo disse...

A música, os poemas e tantas palavras ditas de outras maneiras obrigam-nos a permanecer neste blogue.
Um permanecer atipico...que nos catapulta para menórias que sempre quizemos esquecer.

Vou voltar.

Beijo

Paulo

Cristina Fernandes disse...

Um poema sempre para reler... nesse golpe de asa duma ave bela que na poesia se revê...
Um beijo
Chris

Joaquim Maria Castanho disse...

Vigésimo Primeiro Cálice


Aqueles que não amam, sequer
Não são protegidos de Arina
Confundindo, portanto, A mulher
Com qualquer coisa, qualquer menina!


*

Três vezes sete foram as loucuras
Até ver as coisas como enfim são,
Que tudo há no mundo se o procuras
Na redonda vitória, sem teias de ilusão...


Bebida a última gota só formas puras
Ficam a dançar nos romances do pão
Bordados com as flores tecidas, seguras
No entretecido feminino da perfeição.

Estrelas, cometas, verdejantes prados
Claustros frescos, nichos triangulares
Onde os dizeres se tornam outros arados
De arrotear as tardes serenas, singulares

Em que os enredos maiores são calados
Como beijos recatados, cruzados a pares.


**


Sete pra ti, sete pra mim, e outros tantos
Pròs que nascerem agora deste momento,
Que vida fora se iniciarão leis e santos
Da beleza cativos, seu único tormento

Tomado gota a gota, cálice a cálice
Virando páginas por rumo na rota
Do interpretar, tecendo análise.


Trago a trago apreciado mandamento
Em que as frases se intitulam frota
E os parágrafos esquadrão de alento
Se batalha trava quem por si se afoita:

Que nosso é o firmamento dos mantos
Se em asas delta se tocam plo vértice
A siar rasgando medos e desencantos.


***


Duas vontades unidas por um só fim
Entretecida verdade nas duas metades
Que sendo tua a metade das liberdades
A outra em liberdade me cabe, a mim...

Se entretanto para esse tanto, assim
A que tanto disseste «talvez» e «não»
Outro tanto baste agora dizer: «sim!»

Sim ao Sol que na Aliança Velha arde
Onde por força só baste o ter razão,
Que a ancestralidade nunca é tarde
Se ao conhecimento vem renovação

De cada metade, desse outro ser nascido
Gota a gota caído em clepsidra sem fim
Que há do oito deitado ao infinito ido!

Sonia Parmigiano disse...

Lídia,

Que linda a sua postagem!
Gosto muito desse grande Poeta, seus versos são belíssimos!

Um grande beijo e boa semana!!!

Reggina Moon

sonho disse...

Só quando os momentos passam...é pensamos que podia mos ter feito muito mais...
Beijo d'anjo

Priscila disse...

Curto teu blog, Lídia, e as dicas de leitura ao lado!

abraço,
priscilalopes.com

Luiza Maciel Nogueira disse...

adoro essa poesia. bela escolha. bjs

Gabriela Rocha Martins disse...

rendo.me à escolha ,Lídia

excelente



.
um beijo