
Bebido o luar, ébrios de horizontes,
Julgamos que viver era abraçar
O rumor dos pinhais, o azul dos montes
E todos os jardins verdes do mar.
Mas solitários somos e passamos,
Não são nossos os frutos nem as flores,
O céu e o mar apagam-se exteriores
E tornam-se os fantasmas que sonhamos.
Por que jardins que nós não colheremos,
Límpidos nas auroras a nascer,
Por que o céu e o mar se não seremos
Nunca os deuses capazes de os viver.
Sophia de Mello Breyner Andresen
18 comentários:
Demasiadas vezes as nossas contingências impõem uma distância demasiado grande face às nossas aspirações. Mas "nunca" talvez seja sinónimo de excessivo pessimismo. Mesmo que tenha sido dito por Sophia, mulher tão sábia.
Gostoso vir aqui admirar essa poesia...
Obrigada por compartilhar conosco momentos tão delicados.
Beijos.
Lidia
Poemas e lamentos
São meus sustentos?
São!
Mas há dias em que sinto falta do pão...
Linda poesia essa.Que tenhas um fim de semana lindo também!beijos,chica
A lucidez de Sophia, talvez um momento solitário, pessimista(?), mas ainda assim lúcido.
Beijos
Branca
Lidia... Sophia continua entre nós através da sua incomparável poesia!...
BjO´ss
AL
[a reinventar o mundo, estará no rascunho primeiro, no projecto da nova casa, o traço poema da Poeta Sophia... seria impensável que assim não fosse!]
um imenso abraço,
Leonardo B.
Que lindo esse poema, Lídia!...
beijos
Sim, Lídia, vamos beber o luar, vamos embriagar-nos na sombra das estrelas do meio da tarde, vamos viver loucuras, viver o azul do céu no reflexo do mar, vamos brindar às paixões, à vida...
Beijo de muito carinho, querida Lídia.
Carlos
Obrigada
A poesia de que se gosta é partilha é já parte da alma de poeta.
Um beijo
Estou de regresso:)!
E que bom é viajar nestes versos de Sophia...
Beijinho
Olá Lídia
Belo poema onde se sente solidão, melancolia...pessimismo.
BJS.
Delicioso momento. Pela unidade!
Abraço do Paulo
Sophia, ainda que por vezes pessimista, será sempre uma boa escolha de leitura.
Bjos
MariaIvone
Que bom poder beber o luar em grandes taças plenas de estrelas....
Já que me é impossível este sonho, leio e releio estes versos como frutos silvestres onde me posso saciar.
Oi amiga Lidia, belo poema. O que existe no universo não nos pertence, as coisas nos são dadas por empréstimos, mesmo que para o nosso deleite visual. Mas, talvez por isso mesmo, a magia das coisas não possuidas nos causam tão grande bem.
Um grande abraço.
Lindissimo este poema da Sophia....
Beijo
..."e todos os jardins verdes do mar"
linda imagem de Sophia, lindo poema....
Obrigada Lídia, um beijinho
Enviar um comentário