sexta-feira, 18 de março de 2011

Lenda da Ponte de Misarela



A ponte de Misarela, em Terras de Barroso, liga as freguesias de Ruivães do concelho de Vieira do Minho e de Ferral pertencente a Montalegre. É um local situada entre montanhas onde a verde, o granito e o silêncio convivem de forma amena.

Está tão arredado do bulício a que estou habituada que, numa primeira impressão, sou remetida para uma ideia de Arcada num Peloponeso qualquer que sobrou da Antiguidade e veio aconchegar-se aqui, nas margens do rio Rabagão que corre entre penedos num precipício intransponível.
Um cenário natural em que o homem pode sentir o coração da Natureza e desejar, sem pecado, fazer parte integrante dela.

A mulher também!

Conta a lenda que, há muitos e muitos anos, um homem de muitos pecados e muitos defeitos se escondia neste lugar recôndito, fugido à Justiça.
Ora, um dia, o malfeitor ao ver-se perseguido pelas forças da autoridade e encurralado pela configuração do terreno, num acto de desespero, suplica a intervenção do diabo. Este, claro está, como qualquer diabo que se preze, promete salvá-lo se lhe pagar o favor com a alma [moeda preciosa]. Mas o que vale uma pobre alma contra as emergências de um corpo aflito?
Sem alternativa, o fora da lei fecha o negócio e logo ali, num instante, surge uma ponte a ligar as margens rochosas e íngremes do Rabagão através da qual, o homem se escapa.
Em acto contínuo, a ponte desaparece e a perseguição termina por ali.
Como ditam os bons costumes, o homem acaba por se arrepender e volta ao local acompanhado por um frade [especialista na recuperação de almas perdidas].
O homem evocaria o demónio pedindo que o ajudasse, de novo, na travessia, fazendo aparecer a ponte e o frade, aproveitando o momento, cumpriria a sua parte. Engenhoso (?!...)
A aventura acaba bem, pois bastam uns salpicos de água benta para que o belzebu se vá abaixo. Mas parece que é no ar que ele se dissipa, mesmo antes de ter tempo de fazer desaparecer a ponte que, conforme pude constatar, ainda se encontra intacta no mesmo sítio.
Eu vi!


Fotos:
1 - Um aspecto do rio Rabagão
2 - Dramatização da Lenda (Profs. do AE de Nogueira que ainda não venderam a alma ao Diabo)

16 comentários:

lis disse...

Oi Lídia
São boas as lendas dos antepassados , hoje já nada acontece que mereça a lenda rs
geralmente são contos de amores perdidos ,desejos impossíveis.
Hoje mesmo estive lendo umas crônicas sobre Lisboa - essa cidade imponente e linda que ainda nao conheço!
e sobre os reis D.Diniz, D.Joao.D.Pedro e outros .
Gosto de História Geral e sempre tento voltar lá atráz pra entender melhor a cidade.
Gostei do post .
Obrigada por boa escolha .
abraços

chica disse...

Que linda lenda e represtação dela! Um lindo fds,beijs,chica

José Doutel Coroado disse...

Cara Lídia,
bela paisagem de Trás-os-Montes! A lenda vai bem com o espaço em que a colocaram!
Belo post.
abs

Rogério G.V. Pereira disse...

A lenda é bela. Tão bela quanto o lugar. Mas Minha Alma me lembrou, que muito antes, nessa mesma serrania, apenas pedras e arbustos havia, povoando as margens do rio. Nem uma só árvore sobrevivia ou alguém viu. Mal tentava romper e ganhar tronco, de pronto definhava sem se perceber a razão. Mandou o rei, qual, não se lembra ninguém (se até mesmo de Portugal), que todas as mulheres com mais saberes e menos afazeres se mobilizassem. Tinham por missão cuidar e acarinhar as árvores que o rei, bondoso como não mais houve, mandara plantar. Nenhuma mulher, dos povoados à volta, se negou. Diz a lenda que envelheceram segurando as árvores que ali hoje ainda se exibem em tão belas ramas, tomando a feição das generosas damas. Duvidando sempre da estória, por de lenda se tratar, sou surpreendido pela testemunho da sua veracidade. Uma árvore local, julgo até que a mais bela, mantém ainda a mulher cumprindo a sua tarefa de a segurar e proteger, como uma só uma mulher sabe fazer…
A lenda é real a valer.
Eu vi

Flor de Jasmim disse...

Lidia
Sou fascinada por lendas antigas, gostei imenso, adorei estas imagens, eu já passei por Vieira Do Minho quando estive de férias num hotel em Caminha e fomos passear por esses lados.
Beijinho Bom fim de semana

Moisés de Carvalho disse...

Que maravilha ...adoro essas lendas!

um beijo,Lidia!

AFRICA EM POESIA disse...

LIDIA
Gostei da Lenda




CONVITE

A Direcção da Casa de Angola tem a honra de convidar V.Exa. para a apresentação do livro
Caminhei&caminhando de Lili Laranjo, bem como a inauguração da exposição de pintura da mesma autora intitulado Angola no meu coração a realizar no dia

8 de Abril pelas 17h, que terá lugar no nosso auditório.

Na mesma data organizamos um jantar no nosso espaço gastronómico.

Para reservar queira por favor contactar os nossos serviços.
Com os nossos melhores cumprimentos

Miguel Sermão
Egidio Feijó
Departamento Cultural



Travessa da Fabrica das Sedas, nº7
1250-107 - Lisboa
Telef. 21 386 3496

( Este Convite é um pedido para ter os amigos e os amigos dos amigos.. o jantar será caldeirada de cabrito e a preço económico.)

Celso Mendes disse...

Lendas são a memória cultural de um povo. Fiquei encantado pela narrativa e pelas ilustrações. Tomou-me uma sensação de magia no ar. O fato de eu ainda não conhecer Portugal aumenta ainda mais esta sensação. Um dia, quem sabe, por aí passarei.

Gostei muito do texto.

beijo

Eu, Meu Contrário e Minha Alma disse...

...tendo Minha Alma por porta-voz:

A repórter de serviço merecia melhor comentário e a lenda contada um pouco mais de respeito, do que a resposta, com outra lenda sem jeito...

Unknown disse...

Linda a tua lenda.

Beijo meu.

Teté M. Jorge disse...

Lendas sempre encantam... adorei! As fotos também! Linda modelo! :))

Muitos beijos e um ótimo domingo!

Rosa dos Ventos disse...

Sempre gostei de lendas e, embora conheça esta ponte, não conhecia a lenda!
Obrigada

Mª João C.Martins disse...

Lídia

Eu já conhecia esta lenda e na altura cheguei até a ver a sua representação em video. É curioso também o que a esta lenda se acrescenta ainda; que as populações circunvizinhas, acreditando no carácter sagrado desta Ponte, passou a ser hábito que, quando uma mulher grávida que anteriormente não tivesse conseguido levado a cabo uma gravidez, se dirigisse à Ponte e debaixo dela pernoitasse, na expectativa de ajuda celeste para o seu problema. Assim, estava estabelecido também, que a primeira pessoa que atravessasse a Ponte no dia seguinte teria que ser padrinho ou madrinha da criança, à qual seria posto o nome de Gervásio, se rapaz nascesse, ou de Senhorinha, se de rapariga se tratasse. E isto para que, por obra e graça deste pré-baptismo, a mulher tivesse um bom sucesso na sua gravidez. E parace que assim era...

Um lugar a visitar, numa região onde há sempre algo mais a descobrir, de tão bela que é, tanto do ponto de vista paisagistico, como histórico e cultural.

Um beijinho grande

chica disse...

Volto pra agradecer o carinho e interação.Adorei e está no lugar!beijos,chica

aapayés disse...

Un gusto leerte..

Un abrazo
Saludos fraternos..

Que la semana que comienza, sea de las mejores.. mis mejores deseos..

Eduardo Baptista disse...

Também já lá estive e ouvi a lenda, embora não tão bem contada. Gostei de a reviver e de recordar aquele local tão bonito.
Obrigado