quinta-feira, 23 de junho de 2011

Da terra

                                                                                    Pintura: Olbinski

Do canto da terra
Sei o fruto, a polpa e a casca.
O refrão a entoar ternuras
Na voz dos pássaros.

Do seu pranto
Sei os homens,
As magras paisagens
De áridos futuros.

Alguns dizem: - bastam-me as mãos
Para fazer brotar fontes e rios
Outros porém,
De muitas sedes nascidos,
Bebem até à derradeira gota
As fontes e os rios
E dizem: - bastam-me as mãos
Para fazer brotar desertos.

Da terra sei a secura
E a interdição da água
Na véspera da lágrima.

L.B.

26 comentários:

. intemporal . disse...

.

.

. uns e outros . mas sei do prazer que me é lê.la de fio.a.pavio .

.

. sempre em crescendo . a olhos vistos .

.

. os meus parabéns ! .

.

. beijo meu .

.

.

Anónimo disse...

maravilhoso!

"Da terra sei a secura
E a interdição da água
Na véspera da lágrima."

E depois não adianta chorar...

Beijos

MM - Lisboa disse...

".. na véspera da lágrima"

Ferreira, M.S. disse...

Cara Lídia Borges,
Identifiquei-me com o poema desde os primeiros versos.
Muitos parabéns pela sensibilidade e pelo extremo sentir com que escolheu cada uma destas palavras!
Cumprimentos

AC disse...

Um olhar lúcido onde a esperança se cruza com a amargura...
Um grande poema, Lídia!

Beijo :)

Teté M. Jorge disse...

"...bastam-me as mãos
Para fazer brotar desertos."

Que intenso!

Um beijo amoroso.

Rogério G.V. Pereira disse...

Poeta
Tudo o que dizes
Me atinge e aflige
De tudo que dizes saber
eu sei,
por te ouvir cantar ou dizer...

Da terra sabes a secura
E a interdição da água
Na véspera da lágrima?

E depois dela?
Quando me levantarei?,
e com as minhas mãos
o que farei?

Domingos Barroso disse...

véspera de lágrima
é um mundo todo
em silêncio
...

Beijo carinhoso,
Lídia.

Dilmar Gomes disse...

Lindo poema, amiga Lídia, mas de uma realidade preocupante: a secura, a morte dos rios, os desertos...
Um grande abraço.

Anónimo disse...

A lucidez da alma sobrecarrega-a de responsabilidades e dores.
O que seria dessa alma se não houvesse a poesia?
Saudades de vc, admirável poetiza, saudades das tuas palavras e versos.
Beijokas.

angela disse...

Um poema que nos faz caminhar para o desastre que nos espera. Nos leva do canto ao pranto. Muito bom.
beijos

Anónimo disse...

O desafio do poema embala a vida.

Um beijo

Evanir disse...

Eu não dizer se seu blog é um encanto ou dizer que é um cantinho para sonhar.
Seus poemas atravessam minha alma sua musica me embala para outro lugar.
Recordei aqui sonhos jamais realiazados.
Seguindo seu blog deixando convite para conhecer o meu,Um feliz final de semana beijos,Evanir.

Marinha disse...

Profundo e cheio de uma verdade na qual não cabe correções, sequer outro olhar. Lindo!
Bjo, querida.

Flor de Jasmim disse...

Lídia querida
Intenso!!! Tens uma sensibilidade enorme.
Beijinho

Lilá(s) disse...

A pintura de Olbinski é um encanto, o poema é de enorme grandeza! lindo!
Bjs

Mª João C.Martins disse...

A terra, chão e ventre que gera e recebe o fruto maduro, por entre lágrimas que sabem o quanto doem os desertos.

Belo!

Obrigada, Lídia!

GizeldaNog disse...

"Véspera da lágrima"...esse verso por si só já valia o post inteiro.

Lindo, Lídia!

Unknown disse...

Não tenho palavras para elogiar versos tão formosos. Poemas que nos tocam intimamente.

Sabores da fruta e da terra, dos homens e das lágrimas perdidas no deserto da vida.

sérgio figueiredo disse...

um poema muito bem conseguido expressando, inteligentemente, dois sentires que enfrentam a contrariedade.

Maria Rodrigues disse...

Um poema de grande sensibilidade e beleza.
Beijinhos
Maria

Catarina disse...

Necessitava de um poema hoje...
Vim aqui..
Abraço

João de Sousa Teixeira disse...

Este poema não é da tarra; é do mar. Mas não faz diferença nenhuma... É de Alegria Incompleta, com um beijinho.

Naquele dia o velho búzio
emergiu do oceano
desenhando círculos no espelho da água
e a praia cobriu-se
duma espessa e incorruptível bruma

naquele dia o velho búzio
não era mais que uma crisálida de névoa
em vésperas de música

Graça Pereira disse...

Um poema que passa como uma brisa fresca nesta tarde quente de Verão! Talves a "véspera da lágrima" traga a música da chuva e de pássaros!
Beijo
Graça

OceanoAzul.Sonhos disse...

Faz-me falta passar por aqui, os seus poemas são terra, vida, sentimento.
Um grande abraço
oa.s

lupuscanissignatus disse...

terra

que

brilha



[e não é
miragem]