Pintura: Olbinski
Do canto da terra
Sei o fruto, a polpa e a casca.
O refrão a entoar ternuras
Na voz dos pássaros.
Do seu pranto
Sei os homens,
As magras paisagens
De áridos futuros.
Alguns dizem: - bastam-me as mãos
Para fazer brotar fontes e rios
Outros porém,
De muitas sedes nascidos,
Bebem até à derradeira gota
As fontes e os rios
E dizem: - bastam-me as mãos
Para fazer brotar desertos.
Da terra sei a secura
E a interdição da água
Na véspera da lágrima.
L.B.
26 comentários:
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.
. uns e outros . mas sei do prazer que me é lê.la de fio.a.pavio .
.
. sempre em crescendo . a olhos vistos .
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. os meus parabéns ! .
.
. beijo meu .
.
.
maravilhoso!
"Da terra sei a secura
E a interdição da água
Na véspera da lágrima."
E depois não adianta chorar...
Beijos
".. na véspera da lágrima"
Cara Lídia Borges,
Identifiquei-me com o poema desde os primeiros versos.
Muitos parabéns pela sensibilidade e pelo extremo sentir com que escolheu cada uma destas palavras!
Cumprimentos
Um olhar lúcido onde a esperança se cruza com a amargura...
Um grande poema, Lídia!
Beijo :)
"...bastam-me as mãos
Para fazer brotar desertos."
Que intenso!
Um beijo amoroso.
Poeta
Tudo o que dizes
Me atinge e aflige
De tudo que dizes saber
eu sei,
por te ouvir cantar ou dizer...
Da terra sabes a secura
E a interdição da água
Na véspera da lágrima?
E depois dela?
Quando me levantarei?,
e com as minhas mãos
o que farei?
véspera de lágrima
é um mundo todo
em silêncio
...
Beijo carinhoso,
Lídia.
Lindo poema, amiga Lídia, mas de uma realidade preocupante: a secura, a morte dos rios, os desertos...
Um grande abraço.
A lucidez da alma sobrecarrega-a de responsabilidades e dores.
O que seria dessa alma se não houvesse a poesia?
Saudades de vc, admirável poetiza, saudades das tuas palavras e versos.
Beijokas.
Um poema que nos faz caminhar para o desastre que nos espera. Nos leva do canto ao pranto. Muito bom.
beijos
O desafio do poema embala a vida.
Um beijo
Eu não dizer se seu blog é um encanto ou dizer que é um cantinho para sonhar.
Seus poemas atravessam minha alma sua musica me embala para outro lugar.
Recordei aqui sonhos jamais realiazados.
Seguindo seu blog deixando convite para conhecer o meu,Um feliz final de semana beijos,Evanir.
Profundo e cheio de uma verdade na qual não cabe correções, sequer outro olhar. Lindo!
Bjo, querida.
Lídia querida
Intenso!!! Tens uma sensibilidade enorme.
Beijinho
A pintura de Olbinski é um encanto, o poema é de enorme grandeza! lindo!
Bjs
A terra, chão e ventre que gera e recebe o fruto maduro, por entre lágrimas que sabem o quanto doem os desertos.
Belo!
Obrigada, Lídia!
"Véspera da lágrima"...esse verso por si só já valia o post inteiro.
Lindo, Lídia!
Não tenho palavras para elogiar versos tão formosos. Poemas que nos tocam intimamente.
Sabores da fruta e da terra, dos homens e das lágrimas perdidas no deserto da vida.
um poema muito bem conseguido expressando, inteligentemente, dois sentires que enfrentam a contrariedade.
Um poema de grande sensibilidade e beleza.
Beijinhos
Maria
Necessitava de um poema hoje...
Vim aqui..
Abraço
Este poema não é da tarra; é do mar. Mas não faz diferença nenhuma... É de Alegria Incompleta, com um beijinho.
Naquele dia o velho búzio
emergiu do oceano
desenhando círculos no espelho da água
e a praia cobriu-se
duma espessa e incorruptível bruma
naquele dia o velho búzio
não era mais que uma crisálida de névoa
em vésperas de música
Um poema que passa como uma brisa fresca nesta tarde quente de Verão! Talves a "véspera da lágrima" traga a música da chuva e de pássaros!
Beijo
Graça
Faz-me falta passar por aqui, os seus poemas são terra, vida, sentimento.
Um grande abraço
oa.s
terra
que
brilha
[e não é
miragem]
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