Há mistérios que nos habitam
por anos e anos.
Depois, de um momento para o outro, somem
por resolver.
É que o tempo tem o estranho costume
de, sem aviso prévio, mudar de sítio os mistérios
encalhados.
Embrenhada nos
íngremes acessos
à explicação do inexplicável
nem me apercebi que aquele mistério
perdera misteriosamente o
lugar
na memória que dele
a minha memória tinha.
São mistérios que nunca se desenrolam
até que o tempo trate de os desvanecer
numa qualquer lagoa ao luar.
Como quando,
sem que ninguém te chamasse,
vieste
e partiste, ainda mal
te deras a ver.
Débil alba incapaz de ser dia.
Lídia Borges
(pintura: Pinterest s/ ind. de autoria)
