sábado, 4 de junho de 2011

Espera



Há uma intenção de trigo

No cair cálido das horas

Que antecede

A germinação

Do vento nas searas.

As sementes confiam

No voo enérgico das mãos.




                                                                            Pintura de Pino Daeni


18 comentários:

Flor de Jasmim disse...

Lídia querida
Tal como as sementes
eu ainda confio
posso ter desilusão
as horas que antecedem
assim o dirão.
Beijinho

AC disse...

Há algo que transcende as leituras óbvias que nos servem a cada refeição. Para quem quiser sentir a brisa das searas, terá que ter em conta que
"as sementes confiam
No voo enérgico das mãos."
Mas esse voo, digo eu, tem que preservar o fio condutor, tem que libertar-se dos vendedores de sonho sem sustentação...
Lídia, tendo em conta os tempos que atravessamos, esta é uma de muitas possíveis leituras.
Gostar tornou-se ideia comum, apenas direi que são fecundas as águas por onde navega.

Beijo :)

Unknown disse...

há esperas que florescem,


beijo

Rogério G.V. Pereira disse...

Obrigado poeta
pela intenção de trigo
na hora das esperanças
quase perdidas
neste momento vivido

Obrigado poeta
pelo teu terno apoio
Será que vai acontecer
que o gesto das searas
nos traga o pão, nos leve o joio?

Sandra Subtil disse...

Maravilhoso.
Telúrico e fértil.
beijo

Sonhadora (Rosa Maria) disse...

Minha querida

Que o amanhã seja feito de renascimentos...que todas as flores se façam o pão da vida.

Adorei e deixo um beijinho
Sonhadora

lis disse...

Oi Lídia
Multiplicar searas , ao vento ... reinventando alegrias, confiando e a espera da boa germinação.
Que nossas mãos seja o instrumento.
Bonito , sempre bonito.
Bom domingo, bom voto ( e que Deus os ajude) rs
abraços

Anónimo disse...

Enquanto durar o sortilégio transbordaremos da nossa própria moldura, porque amando somos mais do que o possível.


Um beijo

. intemporal . disse...

.

.

. derradeiro o momento e uma "partida apitada" para dentro da poesia que constrói o tempo .

.

. por.que [aqui] é cada vez mais assim . [aqui] é já sempre assim .

.

. um bom domingo .

.

. beijo . Lídia .

.

.

António Gallobar - Ensaios Poéticos disse...

Olá amiga Lídia

É sempre com grande prazer que por aqui passo, bebendo da fonte, acreditando na mãos que semeiam.

Parabens

Unknown disse...

Que sabemos nós da semente ?
Sabemos que passa pela mão do semeador
Sabemos que se entrega ao vento
Sabemos que adormece caindo na terra...

Como sempre muito belos estes poemas.

Teté M. Jorge disse...

Que delícia de versos... me encantei com o florescimento que brota.
Um beijo carinhoso.
Boa semana.

Emília Simões disse...

Original e belo este poema.
Da semente depois de deitada à terra há-de colher-se o fruto.
Apesar do vento, a mão enérgica lá estará.
Bjs.
Ailime

Jorge Pimenta disse...

nas searas das mãos todo o trigo é vida em eco.
beijinho, lídia!

João de Sousa Teixeira disse...

Uma vez que o Eugénio está aqui ao lado a ver-nos e este seu poema tem algo dele, junto a minha contribuição com um beijinho:

EUGÉNIO DE ANDRADE

Inventor de gerânios e de espelhos,
pétalas, líquenes, juncos, alfazema.
E searas com os morangos mais vermelhos,
trepando às varandas do poema.

Às vezes, limos e ninfas sobre os joelhos
rumoravam como queixumes e fonemas:
uns eram versos de água, outros conselhos,
mágoas, gritos, lágrimas e penas.

Cultivaste as madressilvas na viagem,
mas do oiro, apenas sóis. Porém,
a música e o fogo foram bastantes.

E quando em ti houve versos exultantes,
(do garimpo perene por ocultos diamantes),
eram como se tivessem dentro a própria mãe.

OceanoAzul.Sonhos disse...

E tudo acontece de uma forma tranquila e silenciosa...
Lídia, as suas palavras ecoam nos sentidos.
Beijos
oa.s

Mª João C.Martins disse...

.... e sabem

que é nelas que se abrigam as chuvas

e toda a fermentação do pão.


Oiço-me, quando te leio...
Um beijinho Lídia!!

Graça Sampaio disse...

As mãos. Sempre as mãos na sua poesia!