terça-feira, 19 de julho de 2011

Da Semente


Da semente
Conta-se o tumulto,
O húmus feito cama
Que o vento acobertou
O dilatar doído do ventre
Em corpo de promessa.
Conta-se o parto, o broto
A respiração lenta
Na solidão submersa na terra.
Querenças e tendões cingidos
Sobre a coragem humedecida
De ser manhã.

Alcançada a luz
Resta crescer rumo
Ao destino que a virá tocar

Seara de trigo
Do belo ondear
Que a luz do poente
Querendo ser gente
Vem sempre beijar

22 comentários:

João de Sousa Teixeira disse...

Das fontes onde saciaram as primeiras sedes, mais de correrias e aventuras do que dos sois que queimam o dia das searas, se diz serem algumas de fartas nascentes, outras que, de tão geladas, matavam os peixes que nelas se acoitavam, e ainda outras que engordavam a olhos vistos os que delas bebessem.
Nenhuma destas propriedades se puderam confirmar. Não se sabe também se das fontes coleccionam recordações em pequenos frascos, a imitar relíquias de águas passadas. Sabe-se apenas que ainda hoje guardam na memória o tempo das coisas entranháveis, que só fazem sentido no lugar onde estão e em mais nenhum lugar do mundo.

exc. de Mar de Pão
Beijinho
João

Rogério G.V. Pereira disse...

Vestiu-se de destino
e tomou o rumo da seara para a tocar
mas foi ela num ondular antecipado
que veio ao seu encontro para o beijar

Enganou-se a seara
pois pela luz do poente o tomara

MeandYou disse...

Olá, Lídia!
Estive a espreitar seu lindo blog e palavras em poesia. Adorei!
Gostaria de convidá-la a participar do meu projeto em poesias faladas pela blogosfera, portanto não deixe de me visitar no endereço abaixo.
Quem sabe terei o prazer de ler uma de suas lindas poesias!
grande abraço carioca

http://wwwmeandyou-meandyou.blogspot.com/

Artes e escritas disse...

Forma e conteúdo correspondentes a fecundidade e à terra. Bom de ler. Um abraço, Yayá.

Anónimo disse...

Vc já planta versos cheios de vida, nem esperam muito nascer, já voam.

Beijo.

Flor de Jasmim disse...

Lidia querida

"Alcançada a luz
Resta crescer rumo
Ao destino que a virá tocar"

Lindo!!! E a música adequada.
e o sonho comanda a vida não é amiga?
Beijinho neste dia de Amizade

marlene edir severino disse...

E os ventos trouxeram teus versos
feito sementes
de dente-de-leão

Beijos!

Unknown disse...

sementes em tumulto é uma revolução,


beijo

Dilmar Gomes disse...

Amiga Lídia, lindo o teu poema, aliás, como sempre.
Um grande abraço.

OceanoAzul.Sonhos disse...

Sempre muito bom passar aqui e ler estas sementes feitas palavras que brotam poesia.
Um abraço
oa.s

Mel de Carvalho disse...

Da semente falarão os pássaros mais atentos, de cada grão esvaído nos dedos intemporais de que se fazem os ponteiros da vida.
Da tua palavra, Lídia, digo-a sementeira em terra arada, pão a alimentar a boca de quem ama o que de mais belo nos reserva a vida.

"Alcançada a luz
Resta crescer rumo
Ao destino que a virá tocar".

Assim será, por certo!

Beijo, a minha (sempre) gratidão
Mel

lupuscanissignatus disse...

insaciável

grão


[germina
certezas]


*beijo*

Maria Rodrigues disse...

Amiga como sempre um poema maravilhoso. Sendo hoje o dia internacional da Amizade e do Amigo, passei especialmente para deixar um abraço bem apertadinho e um grande beijinho.
“A glória da amizade não é a mão estendida, nem o sorriso carinhoso, nem mesmo a delícia da companhia. É a inspiração espiritual que vem quando você descobre que alguém acredita e confia em você.” (Ralph Waldo Emerson)
Maria

O Profeta disse...

Calcei luvas, branca e negra
Afastei os braços ao abraço
Encontrei um pássaro feliz
As uvas são amargas no Mês de Março

Anos, dias, vidas que se perdem da vida
Voltaram com o Sol as Andorinhas do Mar
Quantas vagas correram adiante
Quantas perdidas penas entre o partir e chegar

Terno beijo

Anónimo disse...

Luz que é vida
da semente renascida!
Beijinho com amizade
Quicas

Sonhadora (Rosa Maria) disse...

Minha querida

Hoje passando para agradecer a amizade de sempre e deixar um beijinho...tenho um miminho no lado direito do meu blogue.

Beijinhos
Rosa

Mª João C.Martins disse...

E são searas, estas que crescem da tua poesia, Lídia. Nelas germinam sementes que guardam sussurros de vida e que em busca de luz, rasgam a terra na força maior de serem bagos de trigo maduro que alimentam quem tem o privilégio de te ler.

Um beijinho

Manuela Freitas disse...

No plantar a semente, está toda a emoção do mistério da vida!
Belo poema!
Bjs,
Manuela

. intemporal . disse...

.

.

. do destino . ainda que hipotecado . hipotético .

.

. que prevaleça a palavra semente . pingente . ou uma lágrima furtiva .

.

. um beijo ,,,

.

.

Celso Mendes disse...

Da semente, a promessa da poesia da vida que a luz do poente pretende beijar, no desejo de vida também se tornar.

Um louvor à beleza da vida...

beijo.

Mar Arável disse...

Excelente

As searas às mãos cheias

Unknown disse...

O húmus onde a semente se acama fugindo da noite e procurando a luz rasga a terra.
Tudo é semente na luz que acorda todas as manhãs.