Pintura: C. Peterson
Uma sala de aulas, a vida.
Não aquela na serra nem a outra junto ao rio
Não a do outeiro entre flores plantada
Ou a de soalho roto e paredes assoladas.
Não a de vidros partidos e janelas por pintar
Ou a outra onde o sol tanto gostava de entrar.
Não a nova da cidade ou a da aldeia, pequenina.
Não a de hoje ou a de outrora
Apenas a sala onde entro agora
Através de uma porta à entrada da memória.
Já não sei de que lado o meu lugar
À frente ou atrás da secretária?
Quem me diz onde me devo sentar?
Há cantigas de roda e jogos para jogar.
Um pião, uma corda, um chão para semear.
Uma sineta que soa, uma história de encantar
Fadas, duendes, anões, tantos sonhos p’ra sonhar
E um saco de respostas p’ra quem quiser perguntar.
Há uma estrela sorrindo no alto de uma janela
E um sol quase a nascer brilhando juntinho dela.
Dentro de uma sala de aula
De crianças povoada é que sei o meu viver
Do lado de fora, quase nada
O que tenho a ensinar, o que tenho a aprender.

17 comentários:
Que bonito, Lídia!
Também gostei da melodia.
Abraço.
Belíssimo Lídia!
Sabes que me comoveste? Tenho um enorme respeito pela profissão de professor, gostei tanto do meu tempo de estudante. É que tive tão bons Mestres, que a minha sala de aula era sempre assim linda como esta. Ainda hoje os adoro, ainda hoje sou amiga de alguns, ainda hoje as crianças e adolescentes que fomos estamos unidas em volta deles. Alguns já partiram, por estes dias três de nós desfiamos estas recordações e encontramos tudo o que aprendemos e somos e é sempre um momento único.
Beijinhos e parabéns. És enorme...!
O Poema é uma obra de arte.
Branca
É um poema cheio de nostalgia (da boa...) de quem da arte de ensinar fez profissão; de quem fez da vida uma profissão.
Não é por isso de admirar que ainda acorram à memória fadas, doendes e anões, tal qual o mundo das crianças de então.
Começam as aulas, sim. Não me parece que hoje fiquem saudades do "outeiro", ou "da outra junto ao rio".
Seja como for, aceite toda a minha solidariedade
Beijinho
João
Quanta coisa acontece numa sala de aula!Lindo reviver em lembranças.Linda poesia,sempre!!!beijos,chica
Sabes poeta?
O que te venho dizer
com teu poema
tem pouco que ver
Sabes, que me despertaste o anseio
de que a TV tivesse o merecido
valor reconhecido
de humilde electrodoméstico?(*)
E o computador, também.
Sem subalternidade,
Semelhantes ao útil frigorifico
No mesmo plano de igualdade...
Talvez amanhã, logo depois do sol nascer
Saisse à vida, para ensinar e aprender
(*)Apanhei esta ideia no Eduardo Galeano, e não me sai do pensamento. Ela e os "Morangos com Açúcar". Lamento...
Olá
A vida, qual sala de aulas com seu recheio e memórias.
Belíssimo e oportuno poema.
Bjs.
um mundo lúdico se abre nesta sala,
beijo
Uma professora idealista, essa é a melhor sala de aula, a aula do prazer em ensinar e aprender com as crianças. Um abraço, Yayá.
sente-se no meio
deite fora a secretária
entre a minha radicalidade e a sua idealização poética, há um milhão de meninos a quem desejo um professor sonhador
em detrimento de um, que tudo saiba
bom ano!
um abraço
manuela
53 anos da minha vida passaram-se dentro de salas de aula...como aluna e como professora!
Belo poema e linda música!
Abraço
Este poema que é seu, podia ser o poema de muitos outros professores também - eu incluida.
É um bonito post.
A imagem escolhida é também muito bela.
Um abraço
Ainda voltei.
Posso copiar este poema para o meu blogue? referindo, evidentemente, de onde foi retirado.
Pode-se sentir a melodia, além da enorme sensibilidade com que tratas do tema...
Viva os (bons) professores, que desempenham diariamente uma das profissões mais importante e menos valorizadas da sociedade.
Maravilhoso!!!!
Beijos!
É inevitável lembrar-me daquele tempo e daquele lugar, onde aprendi a ler e a contar. Estas e muitas outras coisas, como o nome das serras e dos rios, príncipes, reis e rainhas e tantas geometrias deste meu amado país. No meio de risos e lágrimas, com esforço e com trabalho, valores de enorme grandeza , todos tínhamos a certeza do amor que havia à mistura. E sabes, Lídia, que quem me ensinava, era para mim, a mais bela criatura. Tudo nela eu amava, desde as mãos ao aroma, mas o que jamais esqueci foi desse lugar incerto, onde sempre se sentava... ora de um lado, ora do outro, da sua secretária.
Obrigada!
Um beijinho
Que lindo seu blog!!! Belíssimos escritos!!! Parabéns!!! Abraços!!!
Esqueci
Poeta
de dizer o que me vai no ser
"Há uma estrela sorrindo no alto de uma janela
E um sol quase a nascer brilhando juntinho dela."
Professor é isso mesmo!
Comecei a "ensinar" aos 15 anos (a ajudar a minha mãe) e só acabei (forçada, embora) no ano passado.
Foi isso mesmo.
Muito bom o poema. Muito bom mesmo.
Beijinhos
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