segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Escrita

E, depois de grafadas as estrofes, a palavra se queda morta no momento que ela própria aprisionou. O tempo imóvel recolhe-se no silêncio do poema fenecido e tu  relês cada verso, cada vírgula, cada ponto, querendo manter acesa a luz materna. Querendo fixar a matriz da sua existência como única forma de reviver o instante que já se  vai perdendo.  


Pintura: Dead end. Morteza Katouzian

11 comentários:

Eva Gonçalves disse...

A cada leitura, a palavra ressuscita revivendo esse preciso momento perdido... é isso que torna o poema intemporal. Beijo e boa semana!

Catarina disse...

E que escrita! : )
Gostei.

Rogério G.V. Pereira disse...

Desagrafemos as estrofes e libertemos o momento, na esperança da ressurreição da palavra. Relerei então cada verso, cada vírgula, cada ponto, iluminando-me a leitura essa luz materna. Esse instante conquistado será tão belo, que serás instada a reescreve-lo.

Falo quase desolado
de cima deste livro fechado
palavras que são um apelo à escrita

Nilson Barcelli disse...

As palavras só abrem os olhos quando as olhamos...
Excelente poema, gostei imenso.
Beijos, querida amiga.

Branca disse...

Um texto poético desassombradamente lúcido, sem resguardos, como uma alma como a tua sabe ver.

Beijos

Francisco Coimbra disse...

é por essa altura
em dois dedos de prosa
levanta voo ou poisa
a poesia toda
onde a frase se desenha
procurando a forma! Bjs

Anónimo disse...

Escrita perfeita.

Beijos

Flor de Jasmim disse...

Lídia
Lindo!!! Cada leitura cada palavra com a sua magia.
Beijinho e uuma flor

Anónimo disse...

Nada se mantém para sempre a não ser a atemporalidade da manifestação artística.
Belíssima a ideia, maravilhosamente desenvolvida.
Beijokas.

OceanoAzul.Sonhos disse...

Excelente escrita que em silencio nos diz muito.
Um abraço Lídia
oa.s

Celso Mendes disse...

A escrita é atemporal e registro de momentos e pensamentos. E este registro que acabo de ler é muito belo e sábio.

beijo.