"O poema me levará no tempo / Quando eu já não for / A habitação do tempo / E passarei sozinha / Entre as mãos de quem lê / - O poema alguém o dirá/ Às searas" - Sophia de Mello Breyner Andresen - Livro Sexto (1962)
Quinta-feira, 1 de Março de 2012
Vergílio António Ferreira
( 28 de Jan. 1916 - 1 de Março 1996)
«Escrever é ter a companhia do outro de nós que escreve.»
Perdão pela extensão, mas porque houve coincidência de tema (nunca tive destreza dos poetas de dizerem num verso o que eu meto num A4...)
Escrevo porque sim, porque gosto das palavras, porque as gosto de alinhar, rimá-las e dar-lhes a energia que por vezes lhes falta, sobretudo às menos usadas ou às mais aviltradas. Escrevo para arrumar as ideias, aprofundar o juízo das coisas e do mundo, nesta insistente, quase teimosa, tarefa de o tentar compreender. Escrevo não só para que me leiam, mas para que eu registe a memória e me espante com o que pensava vir acontecer, depois de, mais tarde, ter acontecido. Escrevo para todos e, assim, também para mim. Escrevo e leio, porque não há escrita que não me obrigue a ir ler. De vez em quando leio um livro, faço como Montesquieu…não ler, por ler. Leio para desvanecer a desesperança.
Lindíssima a homenagem Lídia! Quanto ao pensamento de Virgílio Ferreira, que dizer? É um pensamento sábio, simples, mas ao mesmo tempo profundo. Afinal temos alguns "outros", que sintetizamos num só e escrever pode ser ir ao mais íntimo de nós, ao nosso subconsciente, a uma parte de nós que se vai libertando na escrita. Escrever pode ser mesmo uma terapia.
19 comentários:
É isso mesmo! Às vezes pensamos que não somos nós a escrever.
J
Perfeita definição.
Linda homenagem.
beijo
Bela e singela homenagem!
Beijos.
Querida Lídia,
Perdão pela extensão, mas porque houve coincidência de tema (nunca tive destreza dos poetas de dizerem num verso o que eu meto num A4...)
Escrevo porque sim, porque gosto das palavras, porque as gosto de alinhar, rimá-las e dar-lhes a energia que por vezes lhes falta, sobretudo às menos usadas ou às mais aviltradas. Escrevo para arrumar as ideias, aprofundar o juízo das coisas e do mundo, nesta insistente, quase teimosa, tarefa de o tentar compreender. Escrevo não só para que me leiam, mas para que eu registe a memória e me espante com o que pensava vir acontecer, depois de, mais tarde, ter acontecido. Escrevo para todos e, assim, também para mim. Escrevo e leio, porque não há escrita que não me obrigue a ir ler. De vez em quando leio um livro, faço como Montesquieu…não ler, por ler. Leio para desvanecer a desesperança.
Nem pensei, nem olhei
à data, à flor
(o eu desastrado, de sempre
me retrato
humildemente)
Lindíssima a homenagem Lídia! Quanto ao pensamento de Virgílio Ferreira, que dizer? É um pensamento sábio, simples, mas ao mesmo tempo profundo. Afinal temos alguns "outros", que sintetizamos num só e escrever pode ser ir ao mais íntimo de nós, ao nosso subconsciente, a uma parte de nós que se vai libertando na escrita. Escrever pode ser mesmo uma terapia.
Beijos.
Branca
E é verdade.
E esse "outro" são "tantos outros", tão variados, tão diferentes...
Singela homenagem =)
bjos
Lídia
Verdade minha amiha amiga, esse outro "eu" me fez muitas vezes companhia quando sózinha vivia e muito escrevia.
Linda homenagem!
Linda rosa!
Beijinho e uma flor
Que bonito pensamento e faz todo sentido.
E essa rosa branca ficou muito bem ai.
Beijos
Perfeita definição! Uma simples mas linda homenagem!
Bjs
Um eu que prende a respiração e observa além das entrelinhas!!
Muito bom! Bjs
é o outro nosso em floração para o tempo,
beijo
Bonita homenagem!
Acabei de ler o teu livro. Que maravilha...
Um beijo.
quantos somos num só acaso criativo?
beijos!
p.s. há dias, no 24/02, também mourão-ferreira completaria 85 anos, se fosse vivo.
Oportuna homenagem a Vergílio Ferreira, sem dúvida!
Tantas outras a tantos outros/as que ficam por fazer!
E tantos outros que passam silenciosos pela vida a despeito da sua sensibilidade!...
Tantos mundos que o mundo tem!...
Tantas emoções
Perturbações
Inquietações
Tantas!...
Tanto tempo
Tão pouco tempo
Um beijo, Lídia
E como estava certo Vergílio Ferreira, amiga! Difícil, mesmo, é estar suficientemente atento a "esse outro"!
Beijinho
jc
Rosas brancas... as minhas favoritas! Trazem me tantas recordações... :')
E quantas vezes um e outro se perdem, da mesma forma como se encontram, tendo a solidão como vital companhia.
O meu aplauso a Virgílio Ferreira... de pé, pois claro!
É sim!
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