Um livro deve alimentar a imaginação,
pois o Homem não se cria só através da necessidade
mas também através do desejo.
(Sophia de Mello Andresen)
Entro. As paredes estão cheias de desenhos. Há rãs e nenúfares e água e flores, muitas cores entornadas ao acaso por mãos pequeninas de “grandes pintores".
A poesia chega em seguida. Vem mesmo ao lado das crianças que entram sem fazer barulho.
Olham-me, estranham-me. Não sabem disfarçar a curiosidade e eu tenho dificuldades em conter a minha, mas não as estranho.
Tento adivinhar expectativas e anseios... Não vale a pena! Sei do que gostam, ainda sei do que gostam. Isso basta.
As palavras que lhes levo habitam o universo do maravilhoso, do imaginário onde elas tão bem se movimentam. Procuram estimular o pensamento, a interrogação e o sonho. São fruição,sim, mas não só. Pelo menos, assim as penso, sob essa luz, as criei.
É um conto cheio de peripécias e situações divertidas em torno de um livro, mas não resisto e começo com um poema que declamo de cor, pois não estava previsto.
Eu sou o livro/Sou engraçado/ Conto-te histórias /Sempre calado/Se me tratares com muito amor/Eu posso ser teu professor/ Levar-te ao mar/ a ver peixinhos/ Mostrar-te ninhos com passarinhos/ Posso levar-te ao meu jardim/ Tenho tulipas, rosas, jasmim/ Eu posso ser o teu Amigo/ Se me levares sempre contigo/ Eu só não posso dar-te alegria/ Se me ofereceres / À tua tia
Hostilidades desfeitas! A poesia, eles conhecem-na, sabem-na bem e eu bem os sei. Tantos anos a ensinar fizeram-me aprender...
18 comentários:
Que linda tua poesia do livro e que belo momento esse vivido por ti e pelas crianças...beijos,tudo de bom,chica
Lembro uma fotografia, quase assim, pois meninas não havia. Eu estava atrás, por timidez. E ouvia (bebia) aquela voz que trazia histórias até nós... são momentos que nos ficam através dos tempos. A voz e a história ficam-nos na memória. Iria jurar que era um conto popular... talvez "Os dez anôezinhos da tia Verde-Água"... talvez... quem leu? Alguém, como tu, que de tanto ensinar também aprendeu.
:))
: )
Sim, como aprendemos ensinando...
Gostei do poema e de ver o interesse demonstrado pelas criancas.
Abraco
Muita linda a foto e as palavras.
Não importa a época, criança é sempre criança.São esponjas com olhinhos curiosos para reter o máximo de conhecimento possível...
Beijinho.
E é aqui que começam a entusiasmar-se pela leitura e que começam a ser bons leitores.
Uma boa semana
Maravilhoso Lídia!
O poema é uma doçura, uma das mais belas definições de livro que já li.
Que sorte tiveram esses meninos, nesse momento contigo e todos os outros que te passam pelas "mãos"...
Beijinhos
Branca
É tão bom que desde criança haja
interesse pela leitura. Um beijinho
Irene
Olhares dóceis de crianças ao redor da professora , é um momento único, que desfaz qualquer estranhamento.
E a hora da leitura os olhinhos fixos se movendo conforme as situações e a voz que as guia.
Missão cumprida ,é esperar que a semente lançada provoque frutos e a boa leitura seja o alimento mais saudável.
Parabéns Lídia
um abraço
Muito sentido o texto. Conheço bem esta "casa" e os alicerces que a sustentam.
Beijinho
Metáforas que encontro e não há palavras de amor tão abrangentes que digam tudo o que a alma sente
Um beijinho
OI LIDIA!
CRIANÇAS SÃO ANJOS QUE ENFEITAM NOSSAS VIDAS, E FLORES QUE PRECISAM SER REGADAS, COM HISTÓRIAS E LIVROS...
ABRÇS
Zilanicelia.blogspot.com
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Combinação perfeita! A intelectual professora, os belos alunos e o lindo poema.
Beijos e ótima semana pra ti e para os teus.
Furtado.
E quem ensina...aprende sempre, cresce e fica do tamanho do mundo!
Só assim é possível chegar às crianças e como tu o sabes bem!
Estive ausente mas...voltei!
Beijo
Graça
Até estremeço quando penso que um dia deixarei esse convivi-o...com o passar dos anos aprendi a conquistá-los, fazem parte do meu crescimento como pessoa e professora, Lindo texto!
Bjs
há momentos que falam a pena ser contados...as crianças têm o dom de sentir a poesia como ninguém.
bj
E a magia acontece!
Olhos nos olhos. E o teu coração a conhecer o deles, a saber dos melhores caminhos por onde guiar os seus pensamentos, a levá-los ao inigualável prazer de ser e crescer, aprendendo e construindo o mundo através das palavras.
E a magia acontece!
É poesia que plantas nos seus olhos e jamais eles esquecerão esse momento. Eles e tu, Lídia. Qual jardineiro que espera o desabrochar das flores, cuja raiz aconchegou na terra.
Não, não imagino só que assim seja. Sei que assim é!
Um enorme abraço, e a minha admiração por ti.
Tão bons, estes momentos partilhados com uma sala cheia de crianças!...
Faz-me lembrar um que publiquei há tempos no Escrito a Quente:
http://escritoaquente.blogspot.com/2011/02/era-um-conto-envergonhado-que-andava_16.html
Beijinhos.
Eles gostam, Lídia, mas é preciso saber fazer-lhes cócegas na parte mais sensível. E a Lídia sabe.
Beijo :)
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