Antonio Capel
Entra-se, e então, sentamo-nos pela primeira vez à nossa mesa, deitamo-nos pela primeira vez na nossa cama como se nunca tivéssemos saído dali (e, quase jurava que nunca antes ali estivéramos). Fica assim o presente encostado ao passado, como na quietação dos gatos. Só eles, como sabemos, têm o "sempre" no vagar dos gestos, a eternidade no fundo dos olhos.
Este,
aqui à porta, espia-me do alto do seu desinteresse como se me conhecesse desde
o princípio dos tempos e, no meu afago, a paz de uma casa antiga: um vaso de sardinheiras
em flor, o tanque de pedra, a cancela de madeira pintada de verde e um gato... Um gato
enroscado sobre si, no tapete, à entrada da memória, há tanto tempo!...

22 comentários:
Dá para viajar na imaginação,voar nas tuas lindas palavras. Lindo gato das memórias!! beijos,chica
Bonita imagem, belo texto. Um abraço. Tenhas um bom dia.
Um texto de onde transborda uma enorme ternura mesclada de nostalgia!
Gosto imenso de gatos!
Abraço
Considero o gato (apesar da minha inexperiência) um animal pouco expressivo, matreiro...
Abraço
Cá em casa houve um gato a que demos o nome de Gato.
De vez em quando o Gato se roçava numa das pernas e eu o afagava um um arremedo de festa. O Gato e eu tínhamos cada qual seu território, que ambos respeitámos, numa coexistência pacifica de uma guerra que nunca acontecera...
O gato morreu há muito e eu olho o seu lugar como se ele ainda lá permanecesse.
Os gatos são mesmo assim Lídia,
- seres especiais, indiferentes , gosta da lua por isso também dos telhados e esse olho no olho é demais! rs e 'essa eternidade no fundo dos olhos' - impressiona!
... e voltar à casa vazia, tudo nos devidos lugares também chega a impressionar, daí a perguntar
- queríamos mesmo vir ou ficar por lá? rs
tem sido meu dilema rs
um abraço e bons dias Lídia
orientação dos gatos,
beijo
Passando pra lhe deixar um olá Lídia!
E um beijo.
Que lindo, Lídia!
Só uma alma bela vê dessa maneira a presença de um gato* *("a eternidade no fundo dos olhos"... Isso é bonito!
Adorei o post, tão natural e cheio de paz!
Que tenhas um final de dia muito bom; delicioso*
Beijinhos
Mery*
"Um gato enroscado sobre si, no tapete, à entrada da memória, há tanto tempo!..."
Que linda esta frase! Maravilhosa.
São sete vidas para recordar...
beijinho
Lendo-a pareceu-me ter regressado de férias.
Na saudade das suas coisas tudo lhe soube a novo onde as tintas e as cores se apresentam frescas e com novidade.
Apenas os gatos permanecem com um olhar de paciência, num suporte de infinito.
Lídia
Tenho oito gatos que adoro.
Li e reli suas palavras onde senti uma certa tristeza, ou será saudade.
Beijinho e uma flor
Passei para conhecer seu cantinho.
Que texto poético, de uma suavidade que emociona.
Amei seu blog.
Boa continuação da semana!
Beijinhos.
Brasil
¸.•°`❤♡¸¸.•
Amiga Lídia,
Texto lindo, onde ressoam palavras de um poeta que li há pouco tempo. Mas é já outro este seu texto.
"Fica assim o presente encostado ao passado, como na quietação dos gatos."
Como gostava de ser a autora desta frase. penso num passado longínquo de total inocência.
Quanta beleza, quanta melancolia. Doce melancolia,que se entranha no corpo e na alma; a música dos Madredeus é sublime.
Obrigada.
Um abraço
Sofia
consigo "ver" o cenário, e sim, o gato enroscado no tapete da entrada, tal qual o meu.
que texto tão bonito!
um beij
É isso mesmo que sinto e que se sente ao regressar de férias - e cá estão os meus gatos, ansiosos de festinhas, de calor, de colo. São a imagem da ternura e do conforto. Que texto tão bonito!
Beijos ou ronrons?
impossível não ronronar ao ler as partidas, os regressos, o tapete e a memória na eternidade do fundo dos olhos com que se agitam vidas. muito mais do que sete.
beijinho, lídia!
Bela prosa poética, com lindas imagens! É mesmo o retrato da chegada das férias! "Um tempo de gato"!
Beijinhos, Lídia!
A quietude das coisas, um recanto de harmonia...
Abraço
Bela prosa poética. Corre como setas de Literatura. Domínio de palavra e de Língua.
Às vezes, só precisamos de um pouco de intervalo no tempo, para descobrir tudo de novo. Ou para nos reencontrarmos, em tudo a que nunca deixámos de pertencer. É como se um suave mover de pálpebras nos fizesse ver a eternidade contida,no vagar dos gestos dos gatos.
Como me revejo aqui...
Um beijinho, Lídia
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