quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Alvorada



E de súbito
um corpo! Alvorada sombria,
Alvorada nefasta envolta nuns cabelos.....
Eram negros e vivos. Quem sofria,
Só de vê-los?

Eram negros; e vivos como chamas.
Brilhavam, azulados sob a chuva.
Brilhavam, azulados, como escamas
De sereia sombria, sob a chuva...

Veio cedo de mais a trovoada:
O vento me lembrou
De quem eu sou.
- Alvorada suspensa! Contemplada
por alguém que chegou a uma sacada
e à beira da varanda vacilou.


David Mourão-Ferreira
 
 
Ana, espero que não tenhas esquecido este! :)

8 comentários:

Rosa dos Ventos disse...

Como ele sabia tão bem cantar o amor e a beleza!

Abraço

Rogério G.V. Pereira disse...

Acho que sim
Que tenho leituras em falta
uma era
esta
Alvorada

Graça Sampaio disse...

Era um espanto a escrever! Só lamento ser tão "parvo" quando andava lá pela Faculdade "vestido" e "revestido" de professor catedrático... Enfim, a perfeição não existe...

Boa escolha, querida Lídia.

chica disse...

MUITO lindo!!beijos,chica

Mª João C.Martins disse...


Uns dos tantos poemas de David Mourão-Ferreira que nos colam ao chão, corpo e escama.

Um beijinho, Lídia!

Graça Pereira disse...

David Mourão-Ferreira é dos poetas contemporâneos que eu mais admiro e esta Alvorada é igual a tantas na nossa vida.
Obrigada pela partilha.
Beijo
Graça

Unknown disse...

estranha alvorada, que não descortina, grande poema



beijo

lis disse...

Gosto imensamente .
"o vento me lembrou / de quem eu sou"
muitas e todas trovoadas não é Lídia?
boa escolha