E de súbito
um corpo! Alvorada sombria,
Alvorada nefasta envolta nuns cabelos.....
Eram negros e vivos. Quem sofria,
Só de vê-los?
Eram negros; e vivos como chamas.
Brilhavam, azulados sob a chuva.
Brilhavam, azulados, como escamas
De sereia sombria, sob a chuva...
Veio cedo de mais a trovoada:
O vento me lembrou
De quem eu sou.
- Alvorada suspensa! Contemplada
por alguém que chegou a uma sacada
e à beira da varanda vacilou.
um corpo! Alvorada sombria,
Alvorada nefasta envolta nuns cabelos.....
Eram negros e vivos. Quem sofria,
Só de vê-los?
Eram negros; e vivos como chamas.
Brilhavam, azulados sob a chuva.
Brilhavam, azulados, como escamas
De sereia sombria, sob a chuva...
Veio cedo de mais a trovoada:
O vento me lembrou
De quem eu sou.
- Alvorada suspensa! Contemplada
por alguém que chegou a uma sacada
e à beira da varanda vacilou.
David Mourão-Ferreira
Ana, espero que não tenhas esquecido este! :)

8 comentários:
Como ele sabia tão bem cantar o amor e a beleza!
Abraço
Acho que sim
Que tenho leituras em falta
uma era
esta
Alvorada
Era um espanto a escrever! Só lamento ser tão "parvo" quando andava lá pela Faculdade "vestido" e "revestido" de professor catedrático... Enfim, a perfeição não existe...
Boa escolha, querida Lídia.
MUITO lindo!!beijos,chica
Uns dos tantos poemas de David Mourão-Ferreira que nos colam ao chão, corpo e escama.
Um beijinho, Lídia!
David Mourão-Ferreira é dos poetas contemporâneos que eu mais admiro e esta Alvorada é igual a tantas na nossa vida.
Obrigada pela partilha.
Beijo
Graça
estranha alvorada, que não descortina, grande poema
beijo
Gosto imensamente .
"o vento me lembrou / de quem eu sou"
muitas e todas trovoadas não é Lídia?
boa escolha
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