quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Da arte


                                                                                                                                                                                                                      Gianni Strino


O pintor ama o real.
Descobre-o em êxtase e surpresa
a cada olhar, para o imaginar
frequentemente
longe da realidade.

Harmoniza a paisagem,
absorve as  cores,  os traços de sombra e luz,
a geometria do silêncio e a do ruído…
Tudo imbuído de uma indescritível liberdade.

E num dia banhado pelo sol pode 
acontecer que o pintor,
tomado por uma extrema atenção,
transponha para a tela
as ruas,  as casas e as árvores
perfeitamente alinhadas,
as fomes nas esquinas,
as angústias crescendo, lado a lado,
com as sardinheiras, nas varandas…
E um nevoeiro cinzento a beber
a magnificência da manhã.

Admira-se o observador
com a obscuridade a despropósito
nesta tela pouco percetível.
Mas, recorrendo aos sentidos em sinergias
pode confirmar a lucidez do pintor.
Está lá tudo, claro como a água.

É que o pintor ama o real (já o disse) e,
como o poeta, trata o que vê
para além do que é visível.


16 comentários:

Primeira Pessoa disse...

o pintor pinta o que vê.
o grande pintor pinta o que sente.

beijão,

r.

JP disse...

O pintor pinta de alma em punho e a alma que retrata!

E o seu modelo, mesmo que pouco perceptivel, não tem falta de nada, fica claro como a água!


Beijinho

Bípede Falante disse...

Nas formas reais se encaixam nossos amores, dores e cores.
Como nos sonhos.
Às vezes, com mais nitidez e detalhes.

Beijoss :)

Sonhadora (Rosa Maria) disse...

Minha querida

Uma verdade mesmo, cada um que lê um poema ou vê uma pintura, sente de maneira diferente e apenas quem criou a obra sabe do que fala.

Um beijinho com carinho
Sonhadora

Lídia disse...

POETA E PINTOR
PRIMEIRO FOI DEUS

PARABÉNS!!!

LÍDIA

Unknown disse...

ama o real e o recria com seu olhar e cores,



beijo

Rosa dos Ventos disse...

Que bela comparação!
Ambos "pintam" o visível e aquilo que só os olhos da alma vêem!

Abraço

Mar Arável disse...

O acto de criar

transcende o que se vê

mas não prescindo do olhar

como pão

Maria Rodrigues disse...

O pintor e poeta transmitem o que lhes vai na alma, eternizando através da sua arte os seus sentimentos.
Lindo poema, como sempre!
beijinhos
Maria

Anónimo disse...

E assim no ato simples de criar, poeta e pintor aproximam-se do Criador e a catarse acontece...

Abraço

Manuel Veiga disse...

luminoso. teu poema...

excelente

beijo

Teté M. Jorge disse...

Poetas também são pintores... pintam letras e as transformam em versos...

Beijo carinhoso e uma semana de paz.
Flores e amor.

Rui Pascoal disse...

Um matizou-a, outro perfumou-a...
e o empenho foi tal que ela ficou linda.
Parabéns!

Lilá(s) disse...

Poeta ou pintor, cada um cria a sua obra, a sua arte. E quando se encontram como neste post a beleza toma forma em duplicado.
Bjs

AFRICA EM POESIA disse...

Querida Lídia neste Outono deixo-te o meu vento


Queria ser
O que queria ser?
Queria ser vento...
Para ser livre...
Para te tocar
E te abraçar

E de mansinho
Chegar-me a ti
E sussurrar-te
Como gosto de ti...

E devagar
Devagarinho
Ia-te acariciando
E tu ias notando
Que eu estava aí...

E o vento
Ia crescendo
E mesmo com força
Gostava de o ser...
Para que visses
A força que tenho...

Força do vento
Vento tufão
E queria...
Poder ter-te...
Sempre na minha mão.

LILI LARANJO

lis disse...

Oi Lídia
E como uma pintora que ama as palavras trazes esse poema maravilhoso perene e delicado.
O pintor vê a realidade de um outro prisma assim como os poetas_ em êxtase , não é? rs
Belo demais Lídia Parabéns