terça-feira, 27 de novembro de 2012

Ária breve para alumiamento de sombras

                                                                Vladimir Kush

Semeio-te, sonho, nas sílabas solares
desta sala iluminada onde o tempo
dobrado ao lado da manta, no sofá
nos propõe depor canseiras 
cansaços.

Torna-se lúcida a imaginação
E por isso o meu poema é
tecido nas linhas certas   
de talhar desacertos e
inseguridades.

Em breve 
nada compensará 
o anseio da terra
no inconformismo 
das mãos.

Sabemo-lo.
Colhemos assim
os últimos frutos do verão e
enganamo-nos deliberadamente
quanto à doçura ressequida da polpa,
uns procurando poupar os outros
porque somos folhas 
de um só ramo às portas 
do inverno.

Aprendemos juntos a não chamar brisa 
ao vento destruidor que nos varre 
nos derruba, nos divide, 
nos  engole.

Criamos um plano de invencibilidades
como um mapa de incontornáveis
 afetos sem fronteiras
 no qual poderemos 
viajar sem nunca 
nos perdermos.


13 comentários:

Val Cruz disse...

'porque somos folhas de um só ramo às portas do inverno.'

Meu carinho Lídia.

Bj.

Rogério G.V. Pereira disse...

Cabe-me no peito
Cola-se-me à alma
Entra-me nos gestos
E no calendário dos poemas

É amanhã
Que é já logo

Maria João Brito de Sousa disse...

Fabuloso poema!!!
Todo ele a apostar nas sibilantes e a dizer-se inteiro, sem fugas nem máscaras...


Abraço!

Nilson Barcelli disse...

A estratégia parece boa e, por isso, produzirá os seus frutos, ainda que mais ou menos iluminados.
Mas o teu poema não é nada bom, porque é excelente. E revela, se eu não o soubesse já, os teus enormes talento e criatividade.
Um beijo, querida amiga Lídia.

São disse...

É bom criar um plano e nele viajar ao som da magnífica canção de Coimbra sem nos perdermos...

Bons sonhos.

Unknown disse...

o título do poema ombreia em sagração, as palavras se cortejam

beijo

© Piedade Araújo Sol (Pity) disse...

semear sonhos não é para todos..

um poema excelente.

Beijo


;)

lis disse...

Quanto mais sonhos mais farta será a mesa e como disse o poeta somos todos capazes de um pouco de lirismo e aí criamos uma trincheira de ternura e conservamos um mundo onde os 'homens' não conseguem habitar com sua maldade e seu ridículo.
É o 'afeto sem fronteiras' Lídia
que não nos percamos!
abraços

Flor de Jasmim disse...

O inconformismo do homem é total, tal como a ambição, que nos vale aprendermos juntos se o sistema dos gulas continua em movimento.
Junto ao teu o meu grito Lídia

Beijinho e uma flor

Maria João Brito de Sousa disse...

Esta tarde escrevi um, pequenino, embalada pela guitarra e pelas sibilantes desta Ária Breve Para Alumiamento de Sombras...

Amanhã tento levá-lo lá :)


Deixo o meu abraço.

OceanoAzul.Sonhos disse...

A poesia, em tão belas palavras, é também um grito...

Muito bom!
beijinho
cvb

Mateus Medina disse...

Que o sonho não se aquiete no sofá e torne a se mostrar, quando o inverno passar...

beijos


Maria Luisa Adães disse...

Venho descansar nesta seara de versos e a guitarra a tocar...vou ficar e não vou voltar ao meu lugar

Maria luísa