quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Paisagem


                                                                               David Edward Linn

A casa diminuindo, diminuindo...  
E os braços desertos.
Os prados nus
Ovelhas negras rapando
Das vértebras, 
a magreza.

Desesperadamente
Um homem corre, corre
desesperadamente em círculos
Por dentro das horas
Da noite e do dia

Quem o persegue
Quem o reprime
Quem o repudia?

Leva a perdição atada à cintura
E jura que não perdeu
Da bússola, o norte
Da rocha, o recorte...

O homem salta.

E cai, em mil pedaços
No meio da minha perturbação.
É urgente ligar braços,
Tronco, pernas
Sentidos, órgãos, cérebro, coração.
Unir com raízes antigas  
Para que se erga de novo o homem
À altura da coruta dos pinheiros.
Inteiro e Natural

Para salvação da paisagem 
Em redor.




10 comentários:

Anónimo disse...

Nas voltas e reviravoltas da vida, nem sempre é fácil criar raizes.
E o homem sufucado no abismo de um corpo seco, sem coragem para saltar.
Bela e triste a sua poesia.

Unknown disse...

é tão urgente salvar homem e paisagem, integrá-los


beijo

lino disse...

Se o homem fosse o PPC nem ligava para o 112!
Beijo

Mona Lisa disse...

Senti um frio interior, lendo o teu belíssimo poema, pois associei-o ao "breve/futuro" que nos bate à porta!

Beijos.

Branca disse...

Para salvação da paisagem em redor é urgente que os poetas desçam à rua, assim inteiros, subversivos, desafiadores, em versos simultâneamente doces e duros, em versos que farão dos Homens seres inteiros e naturais.

É sempre tão animador vir por aqui Lídia, porque poucos me mantêm na blogosfera e este espaço é um dos que me prende à tela do computador.

Deixei um recadinho no Brancamar e amei a alusão a Martin Luther King. Eu que sou uma admiradora dele desde os meus 10 anos, este era talvez dos poucos pensamentos que não lhe conhecia e que me encantou.

Obrigada por esse presente que vou guardar como um tesouro.

Beijos

Maria João Brito de Sousa disse...

Inteira e naturalmente o li e entendi desde a dor da queda à urgência da religação. Dói, por segundos, como um bofetão...


Abraço!

BlueShell disse...

Salvemos o homem...salvemo-nos....

Graça Sampaio disse...

Para salvação da paisagem, ou para salvação do Homem?

Muito bonito!

© Piedade Araújo Sol (Pity) disse...

salvar a paisagem e o homem é urgente!

;)

lis disse...

Oi Lídia
Sinto um tom de desilusão mas não de conformidade e sim das urgências.
_à altura da coruta dos pinheiros' -gostei disso Lídia,
quem poderá prever ?
que venha novos homens vestindo nova roupagem .
meu abraço