quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Versos para quê?


                                                                                                                                                  Imagem net

Horas há em que as palavras se  tomam de tal grandeza
que se me aparentam intangíveis.
Coisas sagradas e, por isso mesmo, só aos deuses
confinadas.

A mim, faltam-me, obviamente!
E como as desejo! Essas e não as outras,
mundanas e vãs, de pé descalço,
repetidos sons do nada-dizer.

Ainda agora, erguidas ante os meus olhos,
as montanhas, tocadas por uma luz oblíqua, 
que se esquivava, como lanças, por entre as nuvens...
As montanhas embrulhadas em aveludados âmbares...
Ainda agora pediam versos para prenchimento
de uma bucólica ária retirada da ocarina
de um pastor vindo da Arcádia
[ou do presépio, aqui ao lado, sob o pinheiro].

Da melodia que me chegava
Resta esta voz pequenina, estrelinha loura
em conversas infindáveis com o brinquedo
trazido pelo Pai Natal.
Conversa estranha esta, entre uma  criança e um  brinquedo.
Idioma do céu? 

Descanso todos os sentidos nessa voz infantil e ritmada. 
Quanta poesia!


Versos!... Versos para quê? 



17 comentários:

O Puma disse...

Um dia seremos de novo crianças

com memórias

ana disse...

:) Delicioso e de difícil resposta.
FELIZ ANO NOVO!

Se puder passe pelo meu canto. Tem lá uma surpresa e um agradecimento.

Rogério G.V. Pereira disse...

Tens razão, poeta
As crianças continuam inocentes...

Hanaé Pais disse...

Hoje descobri os seus versos do passado.
Lindas as suas palavras deixo-lhe estas fantásticas metáforas:

"Das nossas infâncias irmãs"
"Caminho das estrelas um livro, um poema bebido gota a gota"
"Que há no mundo como amigos, flores e crianças?"
"Inspira e expira no pulsar compassado de rubras pétalas vivas"
"As cantigas transparentes do sangue que nos corre nas veias"
"Havemos de te saber guardar"
"Voltas assim serenamente poesia sobre o musgo do jardim""
"As palavras, sossega. Não as deixarei descorar, não as de coragem, não as de bem-querer"
"Num misto de obediência e nostalgia trabalhas com mãos dóceis e tímidas tão melindroso material"
"Se pouco te dou é porque de mim ficou morto em águas passadas"
"Um vendaval que não sabemos deter"
"Seriam papoilas? Talvez!"
"Eram papoilas que e eu bem sei!"
"A dança das mãos"
"Não vês a cor do abandono subindo já os degraus?"
"Nada poderei contra o teu desespero"
"Que farei contra a dureza da tua pulsão em ti?"
"Prometi voltar"
"Então? Abre-la ou não?"
"Uma criança sorriu-me e a poesia começou a dançar livre no palco dos meus pensamentos"
"Ah...o sorriso entornou aqui a seda de uma rosa"
"A liberdade de voos nupciais"
"Não me peças que me detenha nas estrelas dos teus olhos"
"O desalento dos sonhos mal nascidos"
"Suga seivas"
"Rara lucidez"
"Redondo como um ninho, um colo de mãe"
"Se pudesse apanhar do chão os teus olhos..."
"Um solo onde não vingam promessas..."
"Onde desponta uma flor verdadeira que não vingará na insularidade"
"Ficaram só as sementes"
"Estilhaço sonhos"
"A cor dos meus pensamentos"
"Tão belo num só olhar"
"A casa da claraboia"
"A cidade imune passa, passa..."
"O que eu quero do vento é a rebeldia..."

Ressoam em mim as suas palavras...
Bem haja por tanta subtileza.

chica disse...

Há fatos e olhares que temos que não precisam palavras.

E o carinho e troca de uma criança e seu brinquedo é algo assim. Basta olhar e curtir.

beijos,chica e feliz 2013!

Unknown disse...

maravilha,



beijo

Mateus Medina disse...

E que versos tão belos para descrever a falta de necessidade dos mesmos...

bjos

Mona Lisa disse...

Que doçura e ternura de poema!

As crianças são poema!

Beijos.

Teresa disse...

Faz tempo que só tenho palavras mudas para os seus versos...
Porque perante a beleza encantada e perturbadora destes,só me ocorre dizer; Palavras para quê?!

Graça Sampaio disse...

Não há poesia maior do que «a conversa estranha entre uma criança e um brinquedo»

Ai de nós se os versos acabam!

Beijinhos e boas entradas em 2013, Poeta.

Maria Rodrigues disse...

A magia do Natal está nos olhos e alegria das crianças, elas iluminam o nosso Natal. Desejo-lhe um excelente ano 2013, em tudo melhor do que o está a terminar.
Beijinhos
Maria

Armando Sena disse...

Versos, sentimentos, abstracções ou outra qualquer forma de sentir. Sim, que às vezes o silêncio basta.
Belo texto.
Um bom 2013

ana disse...

Lídia,
Depois diga se a minha conectividade é pertinente.
Gostei muito do seu poema e agradeço ter-mo oferecido, quando lho quis roubar. :))
Beijinho e
FELIZ ANO NOVO cheio de nova poesia! :)

marlene edir severino disse...

Pura poesia!

Belo poema, Lídia!

Abraço, querida!

lis disse...

Oi Lídia
É verdade! algumas horas há que não cabem palavras,talvez lágrimas...
mas como disse o poeta continua sendo " preciso trocar embrulhinhos enfeitados,dar boas festas,abraçar,ser abraçado,manter sorrisos."
Pois que assim seja ,até porque nada mais lindo que uma criança conversando com um brinquedo!!
e que saibamos ainda conversar com nossas lembranças e com as poesias dos nossos poetas,
Obrigada pelo ano bom que nos destes,
e que um outro vá surgindo cheio de
novos desejos e delirantes esperanças,
grande 2013 Lídia
com afeto

Mel de Carvalho disse...

Hoje, especialmente para te desejar um excelente 2013, pleno de paz e fraternidade.

Um beijo amnigo
Mel

Manuel Veiga disse...

sublime poema de Natal...

renascesmos nas "rimas" das crianças.

votos de BOM ANO.

beijo