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Perdoem-me se não sou toda
em tudo que aqui se inscreve
mas não posso ser apenas
aquela que estende a roupa
compra o leite, o pão, o peixe
acende o lume, faz a sopa
Eu preciso ser a outra
A que observa a primeira
nas lides do dia-a-dia
e lhe estima o sentimento.
Dores, rigores, riso, alegria
num tubo de ensaio
e o efeito que já se previa:
tanto de suor como de amor.
Era o que, em relatório, se lia.
Eu preciso ser a outra
a que nunca sabe as horas
e se isenta, se ausenta
e inventa mil histórias.
A que planta em sebentas
sílabas de fazer nascer
sem brados nem canseiras
trevos, trigo, sementeiras.
Eu preciso ser
a que do cardo cria as rosas
a que do cardo cria as rosas
para dar às borboletas
e, de uma pétala, as borboletas
para que não faltem às rosas
nem aos cardos nas valetas.
Eu preciso ser a outra
a que sonha, a que delira
a que grita e se revolta
a que cai e se levanta
a que luta, a que duvida
a que crê, a que se espanta.
Por vezes, eu sou a outra
Aquela, [todas] que sou.
A que à hora do sol-posto
a si própria encontrou
refeita na lucidez.
E de tantas, é só uma.
Esta, [muitas] que aqui vês!

15 comentários:
Lídia,
Que maravilhosa poesia.
Adorei!
Beijinhos
Ana
Somos
Pessoas
Bjs
Gosto quando te perdes nos teus próprios labirintos...
Um beijo, Lídia.
"Esta, [muitas] que aqui vês!", querida Lídia, és sempre TU, aquela que me encanta com a sua poesia de eleição e que para além de ser muitas nela própria é também aqui todas as outras que assim fazem um mundo, um mundo que se quer melhor...as outras que lutam, sofrem, batalham e vencem.
É sempre um momento alto a minha passagem por aqui.
Beijinhos
Branca
… e o que eu gosto, Lídia, de todas as que és, aqui, nesta seara, aos meus olhos, das mais belos que se semeou ou semeia - és, e já to disse, uma Poeta como poucos. Verdadeiramente Poeta!!!
bem-hajas, sempre.
Beijo saudoso
Mel
És inteira
Mas à outra
(que é tua companheira)
Dá-lhe a palavra
Não trará novidade
Mas teremos todo o prazer
Em a ler
(foi lindo este retrato,
que de ti, por ti, nos foi dado)
Somos feitas de vários "eus".
Magnífico poema!
Parabéns!
Beijinhos.
Sê!
Adorei!
Um beijo, Lídia.
Aqui a poesia é o pão nosso de cada dia.
Nós como pessoas que somos multiplicamo-nos nas nossas idiossincrasias. Quando estamos sós damos conta de nós e estamos sòzinhos.
Bj
J
Conseguimos ser, e somos, tantas numa só...
Beijo.
aos muitos que nós somos em singular,
beijo
caleidoscópio de cores... e dores.
beijo
Como eu entendo estas palavras!
Muito bonito!
Bjinhos
Dos poemas mais lindos, esplêndidos que li nos últimos anos.
Vou 'roubá-lo' para o meu caderninho virtual de preferidos para o revisitar.
És a outra...és TU.
Soberbo!
Beijinho
Vim de mansinho, só para ler... nem me propunha comentar... mas eram muitas, as Lídias e eu não pude deixar de parar para um abraço...
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