Michael Gorban
desamparadamente
desiguais.
Uns, o mundo inteiro
outros, ninguém
Ceca sem Meca, nada mais.
Da janela, se a sondamos,
atinge-nos
um raio de solidão
e o frio queima
como geada de janeiro
branqueando
o denegrido chão.
As vozes sem sol
arrefecem
e nenhuma asa voa
em canto amanhecido.
Nenhuma andorinha
tece ninho
nos beirais dos telhados
e as casas quedam-se
silenciosas e hibernais
Mas…[Ah! Uma conjunção adversativa!...
Mesmo a tempo de salvar
da morte certa, este poema.]
Mas – como te dizia -
Contigo sou menos desigual.
Contigo ouso, invento
e reinvento a primavera
a partir de uma ínfima
pedrinha de sal,
de sol e sigo
Contigo...

25 comentários:
Há sempre um "mas"...que revoluciona a vida e...o poema. Maravilhoso!
Beijo
Graça
E a vida é para ser ousada...sempre.
beijo
E a vida é para ser ousada...sempre.
beijo
Um pouco de sol é já bastante para aquecer a voz e derreter a geada que, de tanto inverno, vai ficando suspensa à beira das pálpebras.
Um pouco de sol basta, para nos sabermos iguais na ousadia de reinventar a primavera.
Inconfundivelmente teu. Invariavelmente belo.
Um beijinho
Parabéns, gostei muito do seu espaço, tem muito assunto interessante.
Estarei sempre por aqui.
Até mais
O poder que algumas pessoas têm sobre a nossa vida...
Certamente por merecerem...
Beijinhos.
Por vezes sós
mas nunca isolados
Muito linda Lidia...gostei.
Beijinhos
Ana
Um belo retrato da maioria de nós!
Um beijo
Há-de ser sempre assim - uns, o mundo inteiro, outros, ninguém.
E de repente.....a janela abre-se e conseguimos ver mais para lá da nuvem que antes havia.
Beijinho
reivenção: "a vida só vale a pena reinventada",
beijo
Que sigas produzindo belos poemas, e nos dando essa fantástica imagem de uma flor de girassol. Meu beijo.
há sempre um mas.
mas este poema sem mas, já seria e só por si um belo poema.
precisamos nós todos de um pouco de luz e sol em nossas vidas.
é isso.
uma boa semana.
um beijo
obrigada por este momento belo de poesia!
E todos juntos temos muita força! Beijinhos
Ah se não fosse a boa da conjunção adversativa... Chamar-lhe-ia Inverno. Mas veio a adversativa e tornou o Inverno um pouco mais primaveril...
Beijinhos algo primaveris.
Não ousar é cair na monotonia...
Beijos.
Querida Lídia,
Neste tempo escasso e desigual, venho ler-te, ler tudo o que sabes bem desde sempre assimilei como uma poesia maior, a deste espaço. Na impossibilidade de ficar mais tempo, voltarei breve para me deliciar e deixar o meu eco em cada poema que ficou para traz, como páginas de um livro que trago sempre entre mãos.
Beijos
Branca
Gostei tanto... e vou falar "a eito", porque não? Costumo ter essa sensação de poema a morrer que se salva inesperadamente, como tão bem explicou essa s[t]ua adversativa... e sabe tão bem quando ele quase nos ressuscita sob os dedos e se vai tecendo quase sozinho, quase vivo...
Gostei. Beijo.
Com o outro, somos sempre mais. Não é?
Minha querida
Temos sempre que reinventar o tempo...pintar a vida com as cores da esperança.
Sublime este poema.
Um beijinho com carinho
Sonhadora
Apesar da chuva e dos "mas", podemos sempre ousar e improvisar....
Uma beleza....
Beijos e abraços
Marta
sempre foi e cada vez pior o será!
Bonita forma de expressares a tua revolta.
beijinho e uma flor
Como tem passado?
Vim pôr-me ao corrente das novidades.
Uns são mais desiguais que outros...
Deixo as minhas saudações poéticas.
Seja qual for o assunto, sempre maravilhosos poemas!
Bjs
Ainda bem por esse "tigo"! :)
Beijos
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