quarta-feira, 6 de março de 2013

de um quase poema

                                                                                                                                                   Foto: Lidia


Ah!... Esta sensação de nada sentir
Posta em sobressalto a um canto da alma!

Pergunto porque floresce mais devagar
A magnólia, este ano.
Um mutismo gélido toma-lhe as pétalas
Efémeras. Ainda mais efémeras.

O que quer que tenha acontecido
Aconteceu fora dos ramos,
No alheamento das raízes e da seiva.
Aconteceu-nos
O que quer que lhe tenha acontecido.
E como aves poentes, os sentidos pousam
Fazendo seu o tom sombrio do solo.

Restam algumas palavras
Pálidas pétalas caídas.
E mesmo essas, como se fosse noite
No sonho findo de alguém,
Voltam-se para dentro de si
E dormem o sono cego
Das coisas caóticas, antes do poema.



14 comentários:

Unknown disse...

este quase poema transborda em lirismo


beijo

deep disse...

Um poema muito bonito, Lídia. Gosto muito de magnólias.

Beijinhos

Laços e Rendas de Nós disse...


Sobreposição de planos, necessários à organização interior de um reconhecimento aparente "de nada sentir".

Visões "de um quase poema", acabado.

Beijo

Laura

Rogério G.V. Pereira disse...

Não é desacordo
É um mero desencontro
de momentos
pois também os tenho
como descreves
nos versos que escreves
Não é desacordo dizer-te:
as palavras certas
não são pétalas
são asas
que se soltam de nós
em cada madrugada
(mesmo depois de um sono cego)

Que venha o poema
O caos foi um momento de pesadelo

JP disse...

Restam as pétalas. Efémeras....como a felicidade.

Mas sempre fica o poema.

Beijo

Mar Arável disse...

Nada sentir é sentir alguma coisa

até ao florir das palavras

Anna disse...

Um poema inteiro, nas tuas mãos... Tão belo...!

Um beijo

Graça Sampaio disse...

Se este é um «quase poema», imagino como seria se fosse um poema inteiro...

Muito belo. Muito triste. Muito nós.

Manuel Veiga disse...

poema em carne viva.

beijo

rosa-branca disse...

Lindo querida amiga. Tens uma seara fértil de sentires. Adorei. Beijos com carinho

lis disse...

... ' dormem o sono cego' Lídia
sensação de vazio e de pétalas ao chão!
versos pungentes , reais.
abraço

Mateus Medina disse...

Entre o "vazio", o efêmero e o caótico, um quase poema que eu sinto como mais que um poema...

bjos

Isabel disse...

Gostei muito do poema e da fotografia. Acho as magnólias lindíssimas.
(Já vi a frase de Camões)
Um beijo

Mona Lisa disse...

Somos nós que deixamos de florescer...

Belíssimo poema!

Beijinhos.