Bastam
os olhos e um pouco da atenção destes sobre o rio para se perceber, sem o
recurso a uma só palavra, o motivo por que se diz ser o Lima “alfobre de
Poetas”.
Poderia
referenciar Diogo Bernardes que, logo no século XVI, se deixa cativar pelo bucolismo
das paisagens do Alto Minho, (de onde era natural), em particular, pelas margens
do rio Lima. A sua lírica está impregnada de fontes e nascentes, do derivar irrequieto
das águas, da exuberância da vegetação da opulência de tonalidades, formas,
cores e sons.
Uma atmosfera privilegiada e inspiradora a que nenhum poeta pode resistir: Águas do claro Lima, que corria /
Para mim, noutro tempo, claro e puro,/ Que correr vejo agora turvo, escuro,/ Quem
afogou em vós minh'alegria?
Uma sensação de bem-estar apodera-se de nós como se um sopro primordial nos viesse tocar.
Podia falar das inflamadas juras de amor
eterno que ali foram, e são, feitas por casais de namorados, embriagados pela
beleza serena do espaço.
Podia evocar até os mil versos que [mal] escrevi,
ditados pelas cantigas da água ou tantos outros que ela me levou e me negou;
podia falar da sombra e da luz, vestindo as estações com matizes diversos, mas
sempre cheios de beleza e encantamento; podia evocar um sem número de argumentos para dizer o
efeito anestesiante deste sítio, um lugar onde somos tentados a desenhar paredes
que nos defendam de um “lá fora” difícil e, por vezes, incompreensível.
Deve ser por isso que, de cada vez que fico calada por tempo excessivo ou então “grito”, alguém (atento) me diz, no meio de um sorriso: “Vamos a Ponte da Barca?”
E vamos.
Depois é preciso voltar!
Cuidei que com vos ver descansaria
Do mal do cativeiro, triste e duro;
[…]
Do mal do cativeiro, triste e duro;
[…]
Diogo Bernardes
18 comentários:
Bonito!
Bjs
Tão bonito tudo - as palavras e as imagens.
Estive nessa zona em Setembro passado. Foram poucos dias (2), mas o pouco soube-me a muito ( e a pouco!).
Esta música do Pedro Barroso, que me emociona sempre, parece-me tão de acordo com este "post".
Um beijo e votos de boa semana. :)
Aquela avenida marginal coberta de plátanos centenários, em Ponte de Lima, é um cenário único em Portugal. Continuo a achar que a minha vila é um assombro!
Beijinho
Hoje, poeta, não me surpreendes
Como tantas outras vezes
É que mesmo em versos
dispersos
sentia, no que falavas
o cantar das águas
Apenas ignorava serem do Lima
Por todos os rios acima
até ao ventre
Boa partlha
Lídia conheço muito bem Ponte da Barca, mas conheço muito melhor Ponte de Lima e as suas belissimas paisagem!
Belissimas imagens tal como as palavras, adorei, obrigada Lídia por tal beleza.
beijinho e uma flor
Voltei para te dizer que adoro o Pedro Barroso, estou no grupo dele no FB e fui à um ano ao coliseu da Figueira da Foz assistir a uma das suas actuações.
Adoro esta música
beijinho e uma flor
O poeta e o espaço a sua volta. Impossível dissociar.. Belíssima postagem!
paisagem adorável, um encantamento às palavras
beijo
Gosto muito de Ponte da Barca. Daquela que conheci e só existe dentro de mim. Íamos a Ponte da Barca a pé, por caminhos verdes que já não reaprendo. Não sei se me apetece voltar. Nunca se volta. Posso é ir e gostar do novo que existe. Ou não.
muito bonito!
boa semana.
:)
Olá passei, gostei... e estou calmamente lendo...
Abraço
Um cenário belo onde da imagem não se pode dissociar o som. O som do silêncio, o som da água que corre. Não há dúvida que deve ser a cura da alma.
Grata por esta beleza.
Beijo. :)
O rio Lima tem mesmo sítios paradisíacos. E em Ponte da Barca são vários (conheço).
As fotos são belíssimas.
Um beijo, querida amiga.
Lidia com certeza um lugar perfeito para todos os sonho...Um lugar de refúgio e de exeburência, belas palavras, tocou-me a alma.
beijos vespertinos, com carinho.
Os nossos rios e o cantar dos nossos poetas andam sempre interligados. Gosto deste correr manso das águas.
Beijo
Laura
Lídia,
Sinto o mesmo: a natureza retempera, equilibra, ensina...
Beijo :)
Sente-se...
bj
cvb
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