quarta-feira, 5 de junho de 2013

do esquecimento

                                                                                                                                            Levin Dmitri

Não havia vivalma dentro do poema
e, no entanto, a poesia sobrepunha-se
a todas as coisas quotidianas.
Eu contemplava a rua deserta,
as casas cujos telhados pareciam
tomados por um luar frágil e doente
que  lhes arrefecia a intimidade.
E nem noite seria, ainda.

Toda a minha natureza estranha agora 
o mundo que piso
numa espécie de esquecimento 
que se interpõe entre mim e
tantas coisas!
Coisas de que não lembro a materialidade
apenas a transparência delas
até à minha comoção.


14 comentários:

Anajá Schmitz disse...

Que belo poema, as vezes me pego neste mesmo esquecimento.
Tenha uma ótima semana.

DE-PROPOSITO disse...

A poesia ajuda-nos a meditar. E através dela tentamos compreender quem a escreveu.
------
Felicidades
Manuel

JP disse...

E apoesia leva-nos assim pelas ruas desertas da nossa natureza...

Beijinho

Graça Sampaio disse...

Todos nós estranhamos agora este mundo que pisamos, Lídia!

Continua, poeta, a pintar as nossas mágoas com estas cores de luar frágil!

Beijinho.

Branca disse...

Divino poema!
Expressão de uma intimidade que só os poetas tocam...!
Leí e reli e voltarei.

Beijos
Branca

Mar Arável disse...

Sem memórias

não existem amanhãs

Flor de Jasmim disse...

Belo Lídia, tanta coisa que se interpõe entre nós.

beijinho e uma flor

Unknown disse...

a materialidade é metáfora no reino da palavra


beijo

ana disse...

Muito bonito, conseguimos visualizar os telhados e a rua deserta. Talvez me engane, mas para mim este poema é sereno apesar da melancolia.
Beijinho. :)

MARIA DA FONTE disse...

É assim que viajamos no poema sem vivalma ou com um sem-número de almas.
beijos

lis disse...

Para o coração há sempre respostas.
Existe um tempo de abandonar as razões as justificativas os pensamentos nossas convicções particulares e criar novo mundo onde não possa haver medida para o amor.
Só assim teríamos um mundo sobremodo,excelente.
A poesia sempre irá sobrepor a todas as incoerências dos nossos dias, Lídia ,e voce faz parte disso.
Renovo minha admiração.
com abraço

Catarina disse...

Só uma poetisa escreve assim...

Anna disse...

Tão lindo!!!!!

Beijo

Silenciosamente ouvindo... disse...

Quem é poeta/poetisa tem uma
sensibilidade especial no sentir...
e consegue transpor estados de
alma para o papel, colocando
palavras que juntas fazem
sentido e têm emoção.
Beijinhos e bom fim de semana.
Irene Alves