O mosteiro de Tibães foi, num passado remoto, a Casa-Mãe da Congregação Beneditina Portuguesa. Depois de séculos de História e de histórias, foi adquirido a particulares pelo Estado em 1986 e recuperado, parcialmente, sendo hoje um património afeto à Direção Regional da Cultura do Norte. Situa-se a seis quilómetros do centro da cidade de Braga e tem como função, do ponto de vista da sua utilização pública, a dinamização de atividades e experiências que promovam o conhecimento, a conservação e defesa do património, a sensibilização para a cultura e para as artes.
Foi numa das salas de conferências (construída a partir das antigas cavalariças que combina a arquitectura do passado - tetos arqueados em ogivas e robustas paredes de pedra com materiais de hoje - vidro e a madeira, combinação esta que confere ao espaço uma solenidade tranquila) que decorreu a apresentação da obra Os Meninos de São Raimundo, dos autores brasileiros Roberto Lima e Bispo Filho.
É um livro inteiro, em duas metades não podendo ser "inteiro" se uma delas lhe faltasse: as crónicas/contos do Roberto, numa linguagem despretensiosa, muito eficaz, não só pela clareza de ideias como também e em grande parte, pela poeticidade que emerge "ao natural", levam-nos a refletir sobre temas da existência humana que inquietam, obrigando à interrogação. Na segunda metade surge a poesia de Bispo Filho capaz de "incrustar versos de rara força poética pela originalidade e beleza das metáforas" (Willan Pereira, na contracapa).
Eu digo, do que li, que tudo se torna reparável, sob a luz de um olhar puro e tolerante.
O que liga estes textos num mesmo livro? Um espaço e um tempo: um bairro - São Raimundo em Minas Gerais e a infância que uniu os autores num abraço infindável do qual este livro constitui prova. E, talvez, algo mais que se quer legível na epígrafe a abrir o livro:
Já levou, digo eu.
Isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai nos levar além
Paulo Leminsky
(1944-1989)
Já levou, digo eu.
Fotos: Lídia
8 comentários:
Um momento lindo num lugar mágico.
Beijo.
Momentos culturais que nos enchem a alma mas que nos deixam mais famintos desta beleza das letras e das artes.
lugar mágico para a mágica literatura
beijo
deve ter sido um momento muito bom...
:)
Infelizmente, não conheço o Mosteiro, que me dizem lindíssimo.
Obrigada pela informação sobre o livro.
Abraço grande
Obrigado por compartilhar.
Vai pra lista de desejados =)
bjos
Esse mosteiro é um belíssimo local para atos culturais como o do lançamento de um livro.
A ideia foi boa.
Lídia, tem uma boa semana.
Beijo.
Bom saber que os poetas apesar de todas as 'guerras' continuam nos brindando com boas leituras.
Vou querer um...
obrigada Lídia por compartilhar o que viu e sentiu _ é um dos sentidos de estarmos juntos todo dia,por aqui.
abraços e boa semana
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