Christian
Schloe
E agora
desvividas as vivências naturais da vida
e antes que a terra se me ofereça aberta
para que me guarde, folha morta,
deixo que a poesia me inflame o sangue.
Viemos aqui para sonhar
e o que mais fazemos é dormir
exaustos de transportar o sol
de uns dias para outros dias
dobrados sobre os joelhos.
Viemos aqui, para sonhar
e aqueles que nos negam o sonho
mais não querem do que condenar-nos
às palavras de existência nenhuma.
As minhas armas
não serão as suas facas...
Para os odiar, escolho a solidão
encho-a de pessoas e, às tantas,
vejo-a povoada de ternura.
Nas vozes que me habitam
não há réstia de glória, bem sei.
E nisso, desalento algum.
Habituei-me com as demoras
aos segredos da espera.
Outros que hão de vir
extrairão as ervas daninhas
extrairão as ervas daninhas
do meu pensamento e
farão germinar as minhas razões
no pedaço de terra marcada pelos meus passos.
Por tantos passos como os meus
desiguais.
