sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Verde como as árvores na primavera

 foto minha (dezembro 2015)

mas momentos há
[de ilusão, acusam os céticos]
deveras redentores.


eis mil flores miudinhas chovendo
eis como foge delas o inverno
como um minúsculo grão de areia
por invocação da vontade
se move. timidamente, mas move-se.


eis como, causa imediata,
se desmorona com estrondo
uma montanha escura dentro no peito.


e tudo cabe outra vez na extensão
do desejo. nidificam cânticos iniciais
[crês que nidificam, que são cânticos
que são iniciais]
nos ramos deste novo tempo
imponderável de tão outro.


como se vendados tivesses os olhos
e te guiasses apenas pela voz
de uma memória futura


avanças à força de pulso
impulso a impulso, sem vacilar
até ao cimo da Esperança
para colheres dela seus promissores

e doces frutos.



2 comentários:

Graça Sampaio disse...

Como Sísifo. «à força de pulso/impulso a impulso/até ao cimo da Esperança» - muito forte!!

Beijinho.

Graça Pires disse...

Um poema de esperança, Lídia. Há momentos assim em que se desmorona uma montanha escura dentro do peito e as aves nos voam rente aos olhos...
De repente senti saudades da primavera.
Um beijo, minha Amiga.