foto minha (dezembro 2015)
mas momentos há
[de ilusão, acusam os céticos]
deveras redentores.
eis mil flores miudinhas chovendo
eis como foge delas o inverno
como um minúsculo grão de areia
por invocação da vontade
se move. timidamente, mas move-se.
eis como, causa imediata,
se desmorona com estrondo
uma montanha escura dentro no peito.
e tudo cabe outra vez na extensão
do desejo. nidificam cânticos iniciais
[crês que nidificam, que são cânticos
que são iniciais]
nos ramos deste novo tempo
imponderável de tão outro.
como se vendados tivesses os olhos
e te guiasses apenas pela voz
de uma memória futura
avanças à força de pulso
impulso a impulso, sem vacilar
até ao cimo da Esperança
para colheres dela seus promissores
e doces frutos.
2 comentários:
Como Sísifo. «à força de pulso/impulso a impulso/até ao cimo da Esperança» - muito forte!!
Beijinho.
Um poema de esperança, Lídia. Há momentos assim em que se desmorona uma montanha escura dentro do peito e as aves nos voam rente aos olhos...
De repente senti saudades da primavera.
Um beijo, minha Amiga.
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