domingo, 7 de agosto de 2016

"Barry Lindon"



Um filme em contraciclo, clássico e moderno afinal, 
ao arrepio deste tempo revoltante, de caça-aos-pokemons
em que vivemos. 
Estudar esta obra de Kubrick e discuti-la 
será certamente uma forma possível 
de contrariar o clima de alienação e estupidez 
em que nos querem submergir.
José António Gomes

     Em casa, abrigada do calor deste agosto tórrido, dediquei cerca de três horas da minha tarde, sem pestanejar, a assistir, no computador, ao filme Barry Lyndon do realizador Stanley kubrick (1975). Uma escolha sugerida pela leitura de uma crónica de José António Gomes, (João Pedro Mésseder), publicada em http://www.abrilabril.pt/cultura/barry-lyndon-cenas-da-luta-de-classes-ao-som-de-grande-musica.
Da crónica supracitada, destaco a seguinte citação, por entender que uma ideia geral da obra:
Na sua monografia, Stanley Kubrick (Horizonte, 1992), Pierre Giuliani escreve: «Barry Lyndon é um filme muito belo, isto é, um filme sobre o belo, um filme do belo. Música (a que Kubrick faz ouvir em banda sonora e a que se toca no filme), pintura (tanto na composição das imagens, como na evocação directa da arte pictural, em especial a breve sequência em casa do negociante de quadros), vestuários, arquitectura, arte dos jardins e dos seus lagos… na segunda metade do século XVIII (no total, os três decénios que precedem a Revolução Francesa) tudo se encontra no apogeu, num aprumo de civilização que não sabe ainda que em breve, a seguir aos Insurrectos das colónias americanas, vão surgir os Republicanos. Equilíbrio demasiado perfeito, mortífero (…)» (p. 129).
 

Eu estou ainda a digerir o banquete – paisagem, banda sonora, (mágica: Händel, Bach, Schubert) pintura, (séc. XVIII) sequência das cenas, narrador (voz-off), espaço… A Sétima Arte elevada ao expoente máximo do saber fazer, bem ao jeito de Kubrick que assina obras como Spartacus, Lolita, Laranja Mecânica...
 
 José António Gomes, nesta interessante crónica/ensaio, dá-nos conta de que o atual Barry Lyndon está de volta aos cinemas portugueses, em nova versão digital restaurada. Não perderei a oportunidade de vê-lo no grande ecrã. Depois das emoções de hoje, não restam dúvidas de que esta nova versão justifica em pleno a deslocação a uma sala de cinema.





2 comentários:

Graça Pires disse...

Vou ver se vejo o filme, Lídia. A tua sensibilidade é imensa.
Um grande beijo.

Rogério G.V. Pereira disse...

Vou ter de ver

(e eu, que "em miúdo" era membro activo de um cineclube)