Um filme em
contraciclo, clássico e moderno afinal,
ao arrepio deste tempo revoltante, de
caça-aos-pokemons,
em que vivemos.
Estudar esta obra de Kubrick e discuti-la
será certamente uma
forma possível
de contrariar o clima de alienação e estupidez
em que nos querem
submergir.
José António
Gomes
Em
casa, abrigada do calor deste agosto tórrido, dediquei cerca de três horas da
minha tarde, sem pestanejar, a assistir, no computador, ao filme Barry Lyndon do realizador Stanley
kubrick (1975). Uma escolha sugerida pela leitura de uma crónica de José
António Gomes, (João Pedro Mésseder), publicada em http://www.abrilabril.pt/cultura/barry-lyndon-cenas-da-luta-de-classes-ao-som-de-grande-musica.
Da
crónica supracitada, destaco a seguinte citação, por entender que dá uma ideia geral da obra:
Na
sua monografia, Stanley Kubrick
(Horizonte, 1992), Pierre Giuliani escreve: «Barry
Lyndon é um filme muito belo, isto é, um filme sobre o belo, um
filme do belo. Música (a que Kubrick faz ouvir em banda sonora e a que se toca
no filme), pintura (tanto na composição das imagens, como na evocação directa
da arte pictural, em especial a breve sequência em casa do negociante de
quadros), vestuários, arquitectura, arte dos jardins e dos seus lagos… na
segunda metade do século XVIII (no total, os três decénios que precedem a
Revolução Francesa) tudo se encontra no apogeu, num aprumo de civilização que
não sabe ainda que em breve, a seguir aos Insurrectos das colónias americanas,
vão surgir os Republicanos. Equilíbrio demasiado perfeito, mortífero
(…)» (p. 129).
Eu
estou ainda a digerir o banquete – paisagem, banda sonora, (mágica: Händel,
Bach, Schubert) pintura, (séc. XVIII) sequência das cenas, narrador (voz-off), espaço…
A Sétima Arte elevada ao expoente máximo do saber fazer, bem ao jeito de
Kubrick que assina obras como Spartacus, Lolita, Laranja Mecânica...
José António Gomes, nesta interessante crónica/ensaio, dá-nos conta de que o atual Barry Lyndon está de volta aos cinemas portugueses, em nova versão digital restaurada. Não perderei a oportunidade de vê-lo no grande ecrã. Depois das emoções de hoje, não restam dúvidas de que esta nova versão justifica em pleno a deslocação a uma sala de cinema.


2 comentários:
Vou ver se vejo o filme, Lídia. A tua sensibilidade é imensa.
Um grande beijo.
Vou ter de ver
(e eu, que "em miúdo" era membro activo de um cineclube)
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