domingo, 28 de agosto de 2016

Borboletas



todas as coisas vivas, morrem.
as borboletas também.

e até o colecionador de borboletas morre
por vezes antes da morte
com um alfinete espetado no coração.

acontece que por má sorte 
ou falta de inspiração
desprende-se-lhe da rede
o exemplar que ajuizava na mão.

no universo do imutável
está o homem, bem ao meio.
não inteiro, entenda-se
meio homem. que pela metade
é que melhor ele se vê,
melhor ele se sabe.

a borboleta é um ser livre
a natureza o ditou
não deve graças à praça
a praça é que devia
já que dela se agradou
livrar-se da sua graça.



imagem: Barbara Issa Vagnerovà




1 comentário:

Rogério G.V. Pereira disse...

As borboletas são
a parte bela e nobre
da metamorfose