fora do coração não sabemos nada.
são rasos os gestos de cada dia
e os verbos,
corroídos de melancolia,
apoucam-se em lenta combustão.
fora do coração nada sabemos
da modelação das vagas nos trigais
da água em festa nas cascatas
do vento perdido nos pinhais
do verde matinal dos vales
pasto dos olhos, odes matinais
repasto de ovelhas
pedras, búzios, raminhos de urze, abelhas
e outros desprendimentos da alma
que nos são por natureza fomento
leveza consolo e calma.
fora do coração somos frágeis
gastos como rochas puídas
que o vento dispersa na infertilidade
dos prados
a leste do coração.
3 comentários:
Lindo poema e fora do coração nada somos...Precisamos dele e do amor! bjs, chica
Fora do coração deixamos de parte o nosso lado humano.
Maravilhoso poema
Beijinhos
Maria
Belo poema
mas
há sempre um mas
em tudo o que me enleio
e leio
falas-me como se só houvesse Minha Alma
Meu Contrário - a razão
diz-me que não apenas coração
E essa fragilidade conheço Eu
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