segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Fora do coração




fora do coração não sabemos nada.
são rasos os gestos de cada dia
e os verbos,
corroídos de melancolia,
apoucam-se em lenta combustão.

fora do coração nada sabemos
da modelação das vagas nos trigais
da água em festa nas cascatas
do vento perdido nos pinhais
do verde matinal dos vales 
pasto dos olhos, odes matinais
repasto de ovelhas

pedras, búzios, raminhos de urze, abelhas
e outros desprendimentos da alma
que nos são por natureza fomento
leveza consolo e calma.

fora do coração somos frágeis
gastos como rochas puídas
que o vento dispersa na infertilidade 
dos prados 
a leste do coração.


3 comentários:

chica disse...

Lindo poema e fora do coração nada somos...Precisamos dele e do amor! bjs, chica

Maria Rodrigues disse...

Fora do coração deixamos de parte o nosso lado humano.
Maravilhoso poema
Beijinhos
Maria

Rogério G.V. Pereira disse...

Belo poema
mas
há sempre um mas
em tudo o que me enleio
e leio

falas-me como se só houvesse Minha Alma
Meu Contrário - a razão
diz-me que não apenas coração

E essa fragilidade conheço Eu