domingo, 21 de agosto de 2016

Outra vez, domingo



Ao domingo, as palavras amanhecem mais autênticas. Unicórnios brancos, em movimento de asa, quando entram pela tarde, livres de ventos, vertigens e crateras.
Ao domingo as fábulas selvagens parecem recolhidas num sono milenar e embora passemos por elas, porque se nos impõem, é em ausência que passamos por elas. Ao domingo somos mais indulgentes. Qualquer rosto adverso que de longe  nos fite não é hábil bastante para tingir de vermelho o azul da nossa sombra inaudível.

O ar de domingo não é conciliável com o movimento azamboado de olhos sob o efeito do fogo…


Sobretudo se tropeçamos, surpreendidos ainda, na caligrafia esplendorosa dos signos que amamos… Ao domingo! 




Imagens:Margarita Sikorskaia 


2 comentários:

AC disse...

Ao domingo temos mais tempo para nós. Ao domingo, para lá das pausas, por vezes há tempo para novas reconfigurações.

Uma boa semana, Lídia :)

Graça Pires disse...

Ao domingo parece que recuperamos alguma inocência perdida...
Gostei tanto do que escreveste, Lídia.
Um beijo de saudades.