Ao
domingo, as palavras amanhecem mais autênticas. Unicórnios brancos, em movimento de asa, quando
entram pela tarde, livres de ventos, vertigens e crateras.
Ao
domingo as fábulas selvagens parecem recolhidas num sono milenar e embora
passemos por elas, porque se nos impõem, é em ausência que passamos por elas. Ao domingo somos mais indulgentes. Qualquer rosto adverso que de longe nos fite não é hábil bastante para tingir de vermelho o azul
da nossa sombra inaudível.
O
ar de domingo não é conciliável com o movimento azamboado de olhos sob o efeito do fogo…
Sobretudo
se tropeçamos, surpreendidos ainda, na caligrafia esplendorosa dos signos que
amamos… Ao domingo!
Imagens:Margarita Sikorskaia

2 comentários:
Ao domingo temos mais tempo para nós. Ao domingo, para lá das pausas, por vezes há tempo para novas reconfigurações.
Uma boa semana, Lídia :)
Ao domingo parece que recuperamos alguma inocência perdida...
Gostei tanto do que escreveste, Lídia.
Um beijo de saudades.
Enviar um comentário