Vou-me embora pra Pasárgada” foi o poema de mais longa gestação em toda minha obra.
Vi pela primeira vez esse nome de Pasárgada quando tinha os meus dezasseis anos
e foi num autor grego. [...] Esse nome de Pasárgada, que significa “campo
dos persas”, suscitou na minha imaginação uma paisagem fabulosa, um país de
delícias [...]. Mais de vinte anos depois, quando eu morava só na minha casa da
Rua do Curvelo, num momento de fundo desânimo, […], saltou-me de súbito do
subconsciente esse grito estapafúrdio: “Vou-me embora pra Pasárgada!
Manuel Bandeira
Também quero ir
Vou-me embora pra Pasárgada
fartei-me
de estar aqui
vou sem
malas aviadas
e nem
espero por ti.
vou-me embora pra Pasárgada
antes que
me impeça um muro
nesta província
aviltada
que nos
trama o futuro.
vou-me embora pra Pasárgada
aqui
não estou feliz
não se
abre a madrugada
ao sol do
meu país.
na Pasárgada
é que estou bem
é outra
coisa é outra a lei
ter por
amigo um rei
escolher
a mesa, a cama
o que de melhor existe
e quando
estiver triste
“mas triste de não ter jeito”
no peito uma
dor que clama...
- lá sou
amigo do rei –
o paraíso
me chama.
não me
travem não me impeçam
que aqui
não fico mais
vou-me embora pra Pasárgada
desta mundana
morada
de meus
males de meus ais.
vou-me embora p'ra Pasárgada
e não volto nunca mais.
Lídia Borges
Lídia Borges
(Imagem - Todd Williams)

3 comentários:
pasárgada é um pedaço do minho, um vilarejo em xangrilá.
abraço fraterno
roberto.
«antes que me impeça um muro»...muito atual, infelizmente.
Manuel Bandeira - que poesia bonita...
Beijinho.
Depois
do que dissemos os dois
creio nos ventos
sul ou norte
irei, seja esse destino onde for
só não garanto que não volte
Enviar um comentário