quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Branco

imagem s/ind. autoria

E eu disse: o vazio é a ciência secreta do pleno

Adonis (2016), O Arco-Íris do Instante


branco é o cheiro das violetas
tão branco que almejar dizê-lo
é deparar com a estreiteza aflitiva 
dos alfabetos.

a Poesia não é o que somos
nem sequer o fingimento de ser
é tudo o que falta para sermos
em plenitude
revelação apenas pressentida
ou tão só sonhada.
 
se vem é por bondade que vem
acrescenta extensão
ao movimento da terra
e dos corpos perplexos
diante da tirania dos dias.
e traz as ondas e o vento
e um restolhar de vozes
semeadoras de luzes e sombras.

é, pois, natural
que uma pena de semântica instável  
e errância esdrúxula
não capte das coisas a grandeza.
antes as migalhas que sobram dela.
meu alimento, meu banquete...
a Poesia

o cheiro das violetas! sim, das violetas
o brilho branco do perfume…




2 comentários:

Vítor Fernandes disse...

Gostei de partilhar deste banquete. Ainda sinto no olhar a brancura deste perfume.

AC disse...

As migalhas da grandeza...
Inspirada, Lídia!