(imagem: Duy Huynh)
era a palavra que o levava
e ele ia. pelo pé do
lápis,
sorumbático,
esquecido da sua função de
gente.
diluia-se em [des]sentires
e [des]viveres.
valia-lhe ter sido
colecionador de ruídos.
possuía gorjeios de
passarinhos
a acordar as manhãs,
rezas de louva-a-deus
em abundância,
olhares de gente
[preferia os das crianças
a que juntava um ou outro,
maior,
pelo tom sincero-claro.]
era um poeta apaixonado
pela palavra outrora
outrorava-se
frequentemente.
tinha inclinações de
sombra.
não raras vezes
batia à porta da própria casa
para apaziguar solidões.
mais das vezes
não se encontrava lá.

5 comentários:
Um tela de palavras em tons de nostalgia.
bj
(é pá, isto é lindo
digo de mim
para comigo)
A imagem parece ser de Duy Huynh, Lídia.
Bonito poema. Apaziguador.
Bom fim de semana. Bjs
Grata, Deep, pela informação quanto à autoria da imagem. É de Duy Huynh. Confirmado.
Bj.
Lídia
Belos texto sempre tão primorosamente ilustrados! Gosto sempre!
Beijinhos, Lídia.
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