quinta-feira, 10 de novembro de 2016

era a palavra que o levava



 (imagem: Duy Huynh)
era a palavra que o levava
e ele ia. pelo pé do lápis,
sorumbático,
esquecido da sua função de gente.
diluia-se em [des]sentires 
e [des]viveres.

valia-lhe ter sido
colecionador de ruídos.
possuía gorjeios  de passarinhos
a acordar as manhãs,
rezas de louva-a-deus
em abundância,
olhares de gente
[preferia os das crianças
a que juntava um ou outro, maior,
pelo tom sincero-claro.]

era um poeta apaixonado
pela palavra outrora
outrorava-se frequentemente.
tinha inclinações de sombra.
não raras vezes
batia à porta da própria casa
para apaziguar solidões.
mais das vezes
não se encontrava lá.





5 comentários:

Armando Sena disse...

Um tela de palavras em tons de nostalgia.
bj

Rogério G.V. Pereira disse...

(é pá, isto é lindo
digo de mim
para comigo)

deep disse...

A imagem parece ser de Duy Huynh, Lídia.

Bonito poema. Apaziguador.

Bom fim de semana. Bjs

Lídia Borges disse...

Grata, Deep, pela informação quanto à autoria da imagem. É de Duy Huynh. Confirmado.

Bj.
Lídia

Graça Sampaio disse...

Belos texto sempre tão primorosamente ilustrados! Gosto sempre!
Beijinhos, Lídia.